Quarta, 12 Setembro 2007
Resenha: Paris, Te Amo
Eles fazem por amor.
Paris, Te Amo

Sinopse: Uma coletiva de 18 curta-metragens de diretores e atores de diversas nacionalidades, revelando os segredos, a paixão e o romance por trás da capital da França, Paris.
Paris, Te Amo é uma sessão mais que agradável, é contundente, relaxante e que te deixa sentindo bem. São 18 curtas e muitos podem não funcionar da melhor maneira, mas o que é certo é que juntos, como um todo, funcionam maravilhosamente, cumprindo a proposta e satisfazendo a audiência com inventividade, genialidade e brilhantismo, apesar de alguns vazios e simplórios. Defendendo o brilho da capital famosa e apaixonante, fazendo uma verdadeira declaração de amor a esta, é uma coletiva excepcional e que te deixa com água na boca. Além de bom roteiros e direção, conta com um belíssimo visual, trilha e parte técnica excelente. Sem dúvida, poderiam ter mais filmes como Paris, Te Amo por aí.
Abaixo, listo cada um dos 18 curtas, em ordem de preferência:

Le Marais. [de Gus Van Sant. com Gaspard Ulliel e Elias McConnel]
O primeiro curta a realmente encantar, Gus Van Sant utiliza de sua já conhecida sutileza para contar uma história de amor discreta com teor homoerótico. Para os mais desatentos, tal fato pode passar despercebido. O curta consiste de um monólogo de um jovem com fortes intenções de amor, apesar de suteis, se dirigindo à outro jovem. Van Sant toca bem na frustração do amor e na falta de comunicação, já que o jovem - que não sabe falar francês muito bem - não entende muito o que o outro disse. De qualquer forma, como que por impulso, vai trás dele. Pontos para a brilhante trilha sonora e fotografia.
14 Arrondissement. [de Alexander Payne. com Margo Martindale]
O curta a finalizar a coletiva é encantadoramente belo e provavelmente o único que faz, literalmente, uma homenâgem de amor à cidade de Paris. Terno e meticuloso, se concentra na personagem de Margo Martindale e em sua depressão e solidão ao apreciar as paisagens belíssimas de Paris. Sozinha e frustrada com relações passadas, Margo, no final das contas, percebe que se apaixonou pela cidade. O curta é todo um monólogo e te tocará bem fundo no coração. Sentimenal, na medida certa, original e irresistível. O diretor sempre ótimo Alexander Payne acerta novamente.
Loin Du 16E. [de Walter Salles e Daniela Thomas. com Catalina Sandino Moreno]
O curta dos brasileiros Salles e Thomas é um dos mais belos e tocantes da projeção. Protagonizado pela excelente Moreno, o curta segue a rotina - obviamente diária - de uma mãe, que deixa seu neném rescem nascido sozinho para atravessar a cidade para cuidar de outro, que não é dela. Triste, é um conto de amor materno maravilhoso e acerta em todas as notas possíveis. Mais um que utiliza de sutileza e sempre observador e envolvente.
Tuileries. [de Joel e Ethan Coen. com Steve Buscemi]
O mais bem humorado de todos os curtas vem de, claro, os irmãos Coen. Recheado de humor negro, o curta se passa numa estação de trem. De um lado, um turista observador e curioso e do outro um casal apaixonado pegando fogo. Sem conseguir desviar o olhar, o casal chama atenção do turista. Não direi mais nada para não estregar, mas é uma clara declaração de que o amor vence tudo, acima de tudo. Steve Buscemi está ótimo como o turista e os irmãos Coen mesclam muito bem estilo, diálogos ótimos e sua mensagem importante e engraçada.
Place des Fêtes. [de Oliver Schmitz. com Aíssa Maíga e Seydou Boro]
Mais um triste porém efficiente curta. Schmitz é uma grande revelação, ao contar uma história de amor sofrido e inesperado, trágico. Dois ótimos atores em personagens comoventes na história cativante sobre um homem que se apaixona por uma garota e por ela, acaba se ferindo. Coincidentemente, é ela - uma enfermeira - quem trata dele depois. Tocante.
Quartier de la Madeleine. [de Vincenzo Natali. com Elijah Wood e Olga Kutylenko]
Provavelmente o menos sutil de todos, a exuberância e a ousadia ganha contornos intensos nesse curta nada convencional. Wood faz um personagem que presencia uma vampira - sim! - matar um homem. Após isso, se torna num jogo de paixão e sacríficio entre a vampira e o mortal em um curta dark, engraçado e competente. Pontos para o fantástico visual.
Parc Monceau. [de Alfonso Cuáron. com Nick Nolte e Ludivine Sagnier]
Original e simples, este curta segue um diálogo interessante entre um pai e sua filha ao andar numa calçada. Leve e efficiente, não possui a carga emocional de nenhum dos curtas acima, mas é competente e genial em conteúdo, principalmente roteiro e fotografia.
Bastille. [de Isabel Coixet. com Miranda Richardson e Sergio Castellitto]
Um triste e belo curta, sobre a conquista do amor após a perda dele. Foca em um casal com dificuldades e o homem - que já tendo um caso - planeja deixar sua esposa. Até saber que esta se encontra diagnósticada com leucemia. Seu mundo desaba e ele aprende a amar sua esposa até sua morte. Marcante.
Torre Eiffel. [de Sylvain Chomet. com Yolande Moreau e Paul Putner]
O mais ousado de todos os curtas, conta com um tremendo visual e uma história nada comum. O curta envolve um garotinho contando a história de como seus pais de conheceram. Seu pai - um mímico - exuberante e palhaço, se metendendo em atrapalhadas até ser preso e lá encontrar outra mímica - seu futuro amor. Para poucos, é ótimo na originalidade e inventividade, possui humor de sobra.
Père-Lachaise. [de Wes Craven. com Emily Mortimer, Rufus Sewell e Alexander Payne]
Como não poderia deixar de ser, esse curta de Wes Craven - clássico do terror - se passa num cemitério. É nesse lugar onde os noivos começam a questionar sua felicidade e se merecem estar juntos. Após um pequeno acidente com o noivo, ele encontra o romântico e supostamente morto Oscar Wilde (participação de Payne) dando dicas. É com isso que resgata novamente o amor de sua amada com um grande sorisso. Bem humorado e contundente.
Faubourg Saint-Denis. [de Tom Tykwer. com Natalie Portman e Melchior Belson]
Incomum e irregular, esse curta se move rapidamente e o diretor investe mais no visual, no estilo e na parte técnica, que se sai maravilhosamente. É uma grande canção sobre um amor jovem e doce que não tem fim. Portman é uma atriz que encontra amor ao seguir o cego mas carismático Belson pela cidade de Paris. O final ainda gera discussões em minha cabeça.
Quais de Seine. [de Gurinder Chadha. com Paul Mayeda Berges e Leíla Bekhti]
A qualidade começa a decair com esse simples curta sem grandes atrativos. É interessante, mas de certa forma simplório. Segue o amor à primeira vista de um jovem garoto com uma árabe, a seguindo até ela perceber suas intenções. Faltou um final melhor e química entre os atores.
Quartier des Enfants Rouges. [de Oliver Assayas. com Maggie Gyllenhaal]
Esse curta estranho segue mais as loucuras de uma jovem atriz por Paris, movida a drogas, do que ao amor em sí. Longe de ser ruim, parece não conseguir se adequar a proposta. Gylenhaal o salva como a brilhante atriz que é e o trabalho de direção de Assayas não é de todo ruim. Faltou algo porém.
Place des Victories. [de Nobuhiro Suwa. com Juliette Binoche e Willem Dafoe]
Um curta contemplativo e triste, focado na assombração de uma mulher pela perda de seu filho. O amor materno aqui não funciona tão bem como o curta de Walter Salles e fica raso em relação à carga emocional e cativação, mas o elenco convence e o visual também.
Pigalle. [de Richard LaGravenense. com Bob Hoskins e Fanny Ardant]
Funciona por provar que os personagens dessa coletiva realmente fazem tudo por amor, mas além disso, a relação romântica em sí deixou a desejar e nem os atores conseguiram emocionar. Cerca a frustração da vida amorosa e sexual de um casal mais velho.
Montmartré. [de Bruno Podalydés. com Bruno Pdalydés e Florence Muller]
O curta que abre a coletiva deixa a desejar. Vazio e pouco convincente, começa com um homem frustrado sentado em seu carro. Ao socorrer uma mulher desmaiada e a levar ao seu carro, parece finalmente encontrar amor. Os atores fazem bem e o visual também, mas é muito incerto.
Quartier Latin. [de Frédéric Auburtin e Gerard Depardieu. com Gena Rowlands, Ben Gazarra e Gerard Depardieu]
Fraco e faltando emoção, discute a relação amorosa de um casal de idosos. Rowlands está ótima, mas o curta é outro vazio e nada convincente.
Porte de Choisy. [de Christopher Doyle. com Li Xin e Barbet Schoroeder]
Ousadia é sempre bem-vinda, menos quando é mal utilizada. Esse curta é um festival de cores e exuberância, mas faltou conteúdo e Doyle esquece completamente que faz parte de uma coletiva de declaração de amor à Paris. Ele parece ser apaixonado somente por cores e irregularidade.
[Paris, Je T'aime] De vários. Com vários. [Romance, 120 minutos]

| Vinicius Pereira do Blog do Vinícius | 60 |
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Terça, 11 Setembro 2007
Resenha: Hora do Rush 3
A hora da mentira.
Hora do Rush 3

Sinopse: Alguns anos depois de suas férias em Nova York, Lee e Carter estão aconchegados de volta à Los Angeles. Carter como policial e Lee protegendo o embaixador da China. Quando ocorre uma tentativa de assassinato à vida do embaixador Han, Lee e Carter começam uma investigação que acabam os levando à Paris, em busca de respostas escondidas através da mafia chinesa e protegendo uma mulher francesa que pode ser a chave do mistério.
Após as divertidas e descompromissadas aventuras de Lee e Carter, a serie ressucita seis anos após o segundo filme, com a mesma equipe por trás e à frente das câmeras. Jackie Chan e Chris Tucker mantém a parceria e Brett Ratner a cadeira do diretor. Infelizmente, Hollywood tomou conta da serie de uma vez por todas. Se a serie começou em 1998 confiando no carisma de seus atores e nas habilidades de Chan nas cenas de luta, divertindo com uma mistura de humor com ação bem bolada, o terceiro filme destrói tudo isso. Apostando em efeitos especiais grandiosos e desnecessários e pouco se importando com roteiro e ousadia, é uma aventura relativamente sem graça, que mesmo que proporcione vários momentos divertidos envolvendo a dupla central, não consegue evitar o senso gênerico com o qual foi construído.
Digo isso pois nas aventuras anteriores o máximo que era sofisticado era o visual e aqui tudo soa demasiadamente ensaiado e irregular, sem a improvisação e o leve divertimento dos filmes anteriores. As cenas de ação e de luta, mesmo que de certa forma inspiradas, são mal coreografadas e o enredo é inaceitável, indo do nada e chegando a lugar nenhum. Isoladamente, Hora do Rush 3 pode não funcionar para quem não conheçe os personagens e o estilo, para quem conheçe e gosta, será uma decepção, já que falta muito do charme e da autênticidade do entretenimento entregue anteriormente.
Chan e Tucker tentam e saem vitoriosos muitas vezes, conseguindo manter a ótima química, mesmo sem algumas de suas melhores piadas, ainda se encontram em situações embaraçosamente divertidas, mas como o resto do filme, chegam a certo ponto onde soam superficiais. Chan não comanda a ação tão bem quanto acostumava e Tucker, mesmo menos engraçado que o comum, salva muitas cenas. Até mesmo a dança religiosa dos dois, ao som de War soa deslocada. O único brilho de verdade do filme é Paris, onde, por acaso, se encontra o personagem mais divertido do filme e que rouba a cena, Yvan Attal está super engraçado como um taxista aventureiro, ao contrário de Max von Sydow que faz um vilão broxante e sem graça. Roman Polanski (sim, o diretor de O Pianista e outros clássicos) até funciona. Não ajuda o fato de tudo ser tão previsível que você já sabe o destino de todos esses personagens.
Felizmente, o humor ainda se mantém e mesmo com certos segmentos de ação mecânicos, é um filme divertido. Entretenimento mínimo, mas do qual pode muito bem funcionar, principalmente para quem curte as trapalhadas de Lee e Carter. O porém é que tudo ficou bem abaixo do nível dos anteriores, a narrativa corrompida e sem graça, sem qualquer noção de tensão ou adrenalina, poucos personagens cativantes além da dupla central e um enredo mirabolante, com pouquíssimas idéias. O roteiro é raso e a direção de Ratner bem regular, sofrendo com falta de autênticidade. O filme apresenta uma história batida e é bem melhor rever os dois primeiros do que se decepcionar com esse terceiro capítulo. O título de melhor número três do ano ainda é de O Ultimato Bourne e Hora do Rush 3 prova a falta de originalidade de Hollywood e sua habilidade infálivel de destruir franquias e bons personagens. Vejam com cautela, sem grandes expectátivas.
[Rush Hour 3] De Brett Ratner. Com Jackie Chan, Chris Tucker, Hiroyuki Sanada, Youki Kudoh, Yvan Attal, Max von Sydow, Noémie Lenoir, Roman Polanski, Jingchu Zhang e Tzi Ma. [Ação, 90 minutos]


| Kamila do Cinéfila por Natureza | 53 |
| Otavio Almeida do Hollywoodiano | 50 |
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Terça, 04 Setembro 2007
Resenha: Paranóia
Juventude indiscreta
Paranóia

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Sinopse: Se culpando pela morte de seu pai em um acidente de carro, Kale é um jovem que começa a ter problemas controlando sua raiva. Quando agride o seu professor, é colocado sob prisão domiciliar. Pronto para ir a lugar nenhum, preso a uma linha curta, Kale começa a se divertir espionando e descobrindo os afazeres de seus vizinhos, que de escândalos e traição, chega a um homem do qual Kale começa a suspeitar ser o dono por trás de uma serie de desaparecimentos. Intrigado e entendiado, logo Kale descobrirá as conseguências da indiscrição.
A comparação entre Paranóia e um clássico do suspense de Alfred Hitchcock tem se tornado inevitável na maioria das críticas sobre esse novo suspense teen. Esse clássico se chama Janela Indiscreta e parece focar em um homem descobrindo segredos e desvendando mistérios pela janela, não sei ao certo, já que infelizmente não tive a oportunidade de vê-lo. Paranóia, porém, é um filme que soou completamente novo para mim, ao invés de ter soado como plágio de um roteiro de filme de Hitchcock, o que soou para muitos. Acredito que por esse motivo, entre outros, Paranóia é um suspense que funcionará maravilhosamente para a nova geração de frequentadores de cinema. Não só isso, mas irá agradar qualquer um sedento por simples e boa diversão.
Iniciando com uma espetácular cena de acidente de carro e introduzindo seu título de forma verdadeiramente intrigante e bela, o longa já começa interessante e promissor. Ao desenrolar, somos apresentados a Kale e é impossível não se divertir com seus modos e principalmente quando sua curiosidade o leva à desvendar os segredos da vizinhança. Shia LaBeouf faz o papel título e entrega carisma o suficiente para cativar, além de revelar que é um ator que veio pra ficar. O resto do elenco funciona, incluindo os adolescentes. David Morse, como vilão mais uma vez, está muito bem. Infelizmente, ainda estamos falando de um filme feito para adolescentes, ou seja, o roteiro é legal, mas deixando toda a imaturidade e a indiscreta juventude de lado, poderia ter se tornado realmente paranóico. A verdade é que mesmo divertido, o filme se carrega um pouco quando cerca a vida amorosa do personagem título, mas quando o suspense engata, ninguém consegue fugir dos ótimos sustos e da tensão palpável que toma conta de certos momentos.
O que quero dizer é que se não fosse teen com certeza poderia ter sido um filme melhor, focando na paronóia do personagem título, indo a fundo no seu psicológico e com isso, aumentando suspense e mistério. Mas Kale vive cercado de dois amigos e em momentos, ao invés do filme ser pertubador, se revela apenas divertido. Mas não faz mal, a verdade é que o filme é refrescante, no sentido de que supera a maioria dos filmes do gênero hoje em dia, trazendo bons atores em um enredo divertido, executado com jogos visuais super interessantes de D.J. Caruso, que comanda bem o espetácula quando se fala das cenas de ação e suspense, que funcionam relativamente bem. Além disso, a trilha sonora ótima, tanto a composta quanto a compilada, ajuda aumentar tanto o entretenimento quanto a tensão.
Extremamente recomendado, não é o melhor filme passando nos cinemas, mas é sem dúvida, uma opção mais que certa para todos que buscam escapismo simples e divertido. O longa não tem muito a dizer, não termina numa nota profunda, mas cativa com seu estilo, seu enredo divertido e seus personagens admiráveis, além de que revela, mesmo que de forma rasa, a lógica de que precisamos de vez em quando, parar para perceber o que ocorre ao nosso redor. Com um clima bem construído pelo diretor e um roteiro que tenta a todo momento desviar dos mais horrorosos clichês, Paranóia funciona, muito bem se devo dizer, não só como uma sessão no sábado a noite com os amigos, mas para qualquer momento onde você queira simplesmente se divertir e se entreter com um bom pedaço de thiller contemporâneo teen.
[Disturbia] De D.J. Caruso. Com Shia LaBeouf, Sarah Roemer, David Morse, Aaron Yoo, Carrie-Ann Moss, Jose Pablo Cantillo e Matt Craven. [Thriller, 105 minutos]


| Kamila do Cinéfila por Natureza | 72 |
| Vinicius Pereira do Blog do Vinicius | 40 |
| Luciano Lima de A Sala | 80 |
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Domingo, 02 Setembro 2007
Resenha: A Morte Pede Carona
Estranha carona.
A Morte Pede Carona

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Sinopse: Grace e Jim são dois adolescentes apaixonados e prestes a embarcar numa viagem para aproveitar as férias da primavera com os amigos. O que não esperavam é que, em certa noite, encontrariam um homem aparentemente comum e confiável pedindo carona, com o carro quebrado. Já que quase atropelaram o sujeito, como forma de pedir desculpas, decidem ajudá-lo. Mas John Ryder não é nem um pouco confiável e logo começa a perseguir os jovens incansavelmente até poder matá-los.
O fato de A Morte Pede Carona ser mais uma refilmagem de um cultuado terror antigo, este sendo de 1986, é apenas o começo de uma longa linha de fatores irritantes. A esse ponto já é fácil notar a falta de noção e originalidade em Hollywood, principalmente do gênero e com exceção de uma surpresa aqui ou ali, a verdade é que essa idéia de refilmagem já está mais que desgastada, se revelando chata e irritante. Dos "novos" exemplares, Viagem Maldita é um dos únicos que conseguiu entregar um resultado acima da média e a mais nova refilmagem de terror só prova a falta de inteligência, representando tudo o que há de errado com Hollywood.
Por um lado, podemos analisar o filme pela diversão que proporciona à seu público alvo, adolescentes, que por sua vez nem funciona tão bem. Dos poucos fatores positivos, posso destacar o visual decente e uma trilha sonora que em momentos atinge algo divertido. Fora isso, não há muito do que aproveitar e o único fator que faz com que tudo nao se torne um verdadeiro desastre é sua curta duração, que evita enrolações e deixa a narrativa rápida, deixando pouco lugar para muitas críticas. Mas estas são inevitáveis. Com um roteiro extremamente mal escrito, incluindo personagens patéticos, um vilão mal elaborado e situações risívies, sem contar os incontáveis clichês e a intensa previsibilidade, o diretor, Dave Meyer, se revela imensamente mediocre, pouco explorando o que poderia ter rendido algo ao menos digerível e divertido.
Como em Turistas, A Morte Pede Carona é fraco onde deveria ser forte, que é no suspense e no terror. Nesse filme, o vilão, interpretado porcamente por Sean Bean, mata muitas pessoas, mas só ficamos sabendo disso ao descobrirmos os cadáveres. Para a decepção dos fãs de gore, não mostra ele em ação, pelo menos não até os 20 minutos finais, onde eles claramente perceberam o equívoco e tentaram remediar, mas foi tarde demais. A violência acaba se tornando gratuita e nada agradável, além de que ao invés de torçer para que os moçinhos vencam o mal, terminamos com o desejo de que todos esses personagens bestas morram logo. Fazendo as piores escolhas possíveis, com o objetivo de dar continuidade a trama do filme, os personagens se revelam ridículos e com diálogos bestas, dos protagonistas, passando pelos polícias, até o vilão, que o invés de soar misterioso, se revela risívelmente raso superficial.
Enfim, um exemplar do suspense que por pouco escapa da tragédia, graças á algumas virtudes na sua parte técnica e à um final que ao invés de sucumbir à habitual charada de que um próximo capítulo virá, termina brutalmente e rispidamente. Além de claro, os poucos 80 minutos nunca cansarem. Se não fosse por isso, porém, eu não teria pena e realmente o consideraria um lixo total, já que sua execução é terrível, seu roteiro implausível e suas situações faltando tensão ou emoção, conturbadas de superficialismo e nem um pouco inspiradas. O vilão, que poderia ter sido a coisa mais interessante, acaba se tornando o maior tédio, broxante até. Nem o ótimo Sean Bean consegue salvar, vítima da mediocridade constante do filme, também acaba se saindo mal, juntamente com o resto do elenco, incluindo uma Sophia Bush que simplesmente não para de choramingar. Não recomendo o filme e se for para conferi-lo quando chegar nas locadoras, vejam com a menor expectátiva possível, pois o resultado é incrívelmente fraco.
[The Hitcher] De Dave Meyers. Com Sophia Bush, Zachary Knighton, Sean Bean e Neal McDonough. [Thriller, 84 minutos]


| Johnny Strangelove do Cine JP | 65 |
| Matt Zoeller Seitz do New York Times | -- |
| Érico Borgo do Omelete | 60 |
| Rotten Tomatoes | 20 |
| Vinicius Pereira do Blog do Vinicius | 40 |
| Luciano Lima de A Sala | 40 |
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Quarta, 29 Agosto 2007
Resenha: Escorregando Para a Glória
Fria glória.
Escorregando Para a Glória

Sinopse: Chazz Michael Michaels e Jimmy MacElroy são extremos rivais no esporte de patinação de gelo artística. O vicíado em sexo e que ferve no gelo sempre ganha o público e as mulheres e MacElroy, adotado (ou seria comprado?) é delicado, perfeito, mas impecável no esporte. Quando uma de suas comuns brigas toma proporções extremas, ambos são banidos no jogo. Porém, logo descobrem que podem competir em dupla, mas isto terá que sacrificar o ódio que um sente pelo outro, para juntos derrotarem a dupla mimada e histérica Waldenberg.
Uma comédia típica do estilo de Will Ferrell, isto é, uma premissa promissora, roteiro batido, mas piadas refrescantes, hilárias e muitas vezes geniais. Mesmo lotado de problemas, Escorregando Para a Glória, talvez o mais rentável dos filmes de Ferrell, é diversão certa, com humor escandaloso, visual audaz e atores autênticos super engraçados. O longa começa explodindo, prometendo muito, surpreendendo com sua genialidade e boas idéias, além do humor extremamente eficiente, produzindo grandes gargalhadas. Mas o roteiro é fraquinho e se não fosse pelo humor ótimo e as ótimas atuações - e o visual cativante - seria um filme bem fraco.
Felizmente a dupla central consegue salvar muitos momentos fracos com algumas piadas batidas, além da fórmula irritante. Will Ferrell faz o seu personagem de sempre, mas adicionando algo novo e com excelente timing cômico. Inesperdamente, Jon Heder rouba a cena de Ferrell inúmeras vezes. Seu personagem histérico é ultrajante e ao mesmo tempo, contundente, produzindo grandes risadas. O elenco coadjuvante também não faz mal, a dupla de vilões Will Arnett e Amy Poehler possuem química e maldade de sobra e Jenna Fischer não decepciona.
O exagero do filme em momentos é intenso, no sentido de que chega a se tornar implausível, mesmo que sempre engraçado. As acrobacias dos dois atores no gelo são inacreditavelmente absurdas e o visual literalmente brilhante ajuda nesse aspecto. O figurino é ótimo, aumentando as risadas e o senso de idiotice apresentado aos personagens e é óbvio que muitos movimentos foram movidos à efeitos visuais, mas mesmo não melhores que os blockbusters do ano, convencem, apesar de superficiais.
Como comédia e puro divertimento, é uma sessão mais que recomendada, principalmente para fãs de longa data de Ferrell, como também de Heder, que entrega um trabalho bem superior ao seu último, Escola de Idiotas. Talvez ainda não seja o humor típico que os brasileiros procuram, mas americanizado, estilizado e super engraçado, acredito ser impossível resistir aos charmes dessa produção, que apesar de seus grandes defeitos no roteiro e na direção, cumpre sua promessa e entrega com brilho uma comédia extremamente satisfatória e recomendável, que merece crédito simplesmente por conter a cena de decapitação mais engraçada já vista em um filme.
[Blades of Glory] De Josh Gordon e Will Speck. Com Will Ferrell, Jon Heder, Will Arnett, Amy Poehler, Jenna Fischer, William Fichtner, Craig T. Nelson, Romany Malco e Nick Swardson. [Comédia, 93 minutos]


| Angélica Bito do Cineclick | -- |
| Nick de Semlyen da Empire | 60 |
| Stephen Holden do New York Times | -- |
| Érico Borgo do Omelete | 60 |
| Peter Travers do Rolling Stone | 50 |
| Rodrigo Salem da SET | 65 |
| Vinicius Pereira do Blog do Vinicius | 60 |
| Denis Torres Ferreira do Hollywoodiano | 75 |
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Terça, 28 Agosto 2007
Resenha: O Ultimato Bourne
Maneiras extremas.
O Ultimato Bourne

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Sinopse: Constantemente atormentado pelas dúvidas de seu passado e em constante busca pela sua verdadeira identidade, o agente Jason Bourne volta a aterrorizar o governo americano, cansado de ser manipulado e desesperado em busca de respostas. Os agentes da CIA não poupam esforço na caça de Bourne, que cada vez mais se torna uma ameaça mais forte, abrindo feridas e revelando falhas no sistema.
A Identidade Bourne, dirigida por Doug Liman, serviu como um refresco, um novo começo para um gênero desgastado e sem idéias. O thriller continha cenas de ação alucinantes e uma trama extremamente bem bolada. O brilhante Paul Grengrass (Vôo United 93) acolheu a sequência dois anos depois. A Supremacia Bourne melhou o primeiro filme, com ousadia e entretenimento intenso e inteligente, mas foi só com seu terceiro e possívelmente último episódio que a serie realmente atinge a maestria. Também dirigido por Greengrass, Ultimato chega em uma época onde nenhuma sequência conseguiu o feito de superar seus antecessores, mas Greengrass não é um simples diretor e este não é um mero filme de ação. Impulsionado por uma nova intriga, mais relevante e interessante, o terceiro capítulo fecha a trilogia com chave de ouro, entregando não só as cenas de ação mais sensacionais da década, mas entregando um roteiro denso, orquestrado por uma soberba direção.
O simples fato de sempre inserir novidade e nunca se tornar episódico já torna cada sequência Bourne satisfatória e com O Ultimato as surpresas nunca foram tão deliciosas. No capítulo onde descobrimos as verdadeiras origens de Bourne, somos satisfeitos com genialidade e puro brilhantismo, tanto na forma inovadora de Greengrass contar sua história super movimentada, mas como o roteiro consegue unir tudo de forma perfeita no clímax de tirar o fôlego. Nesse tal clímax, não são mais as espetáculares sequências de ação e adrenalina, mas um suspense tenso e forte, movimentado pelo drama do personagem em confrontar seu passado e sim - lembrar de tudo. Matt Damon torna tudo bem mais empolgante com sua ótima atuação com Jason Bourne, que nunca deixou de ser relevante. Ele constrói seu personagem brutalmente e de forma memorável, para que nunca possamos esquecer dele.
Mas Damon não está sozinho. Outro grande destaque do filme é seu elenco, que inclui os personagens já conhecidos de Julia Stiles e Joan Allen, mas adiciona intensidade com as performances inesquecíveis de David Strathairn e Albert Finney, um personagem super importante para a trama. Paddy Considine, perdido e confuso no meio de tanta ação, também ganha certo destaque, apesar de seu pouco tempo em tela. Cada atuação é forte, mas não teriam funcionado se não tivessem personagens tão emblemáticos e com O Ultimato, cada um importa, cada pessoa possui um papel chave e nenhum é esquecido ou mal utilizado com o objetivo de dar continuidade à ação. O que não seria um problema. Como eu já mencionei incansavelmente, as cenas de ação são impecáveis e não há como resisti-las. Greengrass continua com sua câmera de mão, talvez até mais que no filme anterior, mas utilizando-a de forma mais essêncial e importante. Aumentando a tensão, construindo adrenalina e com uma edição ágil e perfeita (sem dúvida merece uma menção no próximo Oscar) faz da ação do filme algo para se fascinar. Fiquei realmente impressionado com a competência do visual, que utiliza menos efeitos especiais e mais habildiade na câmera, na direção focada de Greengrass e seu poder de entretenimento e satisfação intenso.
Me surpreendendo, O Ultimato Boune se tornou não somente o melhor filme do gênero que assisto em muito, muito tempo, mas um dos melhores filmes do ano. Paul Greengrass entrega uma urgência tão admirável ao trabalho, algo tão relevante e um desfecho tão inesquecível e inteligente que não há como resistir aos continuos elogios. O fato de poder propocionar entretenimento de ação e suspense tão poderoso e ao mesmo tempo um roteiro tão brilhante faz desse filme algo ainda mais admirável. Não direi nada a respeito da trama para não estragar nada, mas fiquem preparados pois a viagem é extraordinária e a satisfação será intensa. A verdade é que Greengrass e companhia levaram suas maneiras extremas à outro nível e arquitetaram uma obra-prima do gênero, funcionando sobre todos os aspectos imagináveis. Não é por nada que, como os episódios anteriores, decide finalizar, para o deleite da platéia, com a canção "Extreme Ways" de Moby. Brilhante é pouco.
[The Bourne Ultimatum] De Paul Greengrass. Com Matt Damon, Julia Stiles, David Strathairn, Joan Allen, Albert Finney, Paddy Considine, Scott Glenn e Edgar Ramirez. [Thriller, 111 minutos]


| Vinicius Pereira do Blog do Vinicius | 80 |
| Roger Ebert do Chicago Sun-Times | 88 |
| Celso Sabadin do Cineclick | -- |
| James Dyer do Empire | 100 |
| Otavio Almeida do Hollywoodiano | 100 |
| Manohla Dargis do New York Times | -- |
| Marcelo Forlani do Omelete | 100 |
| Peter Travers do Rolling Stone | 88 |
| Kamila do Cinéfila por Natureza | 95 |
| Rotten Tomatoes | 94 |
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Sábado, 25 Agosto 2007
Resenha: Mimzy: A Chave do Universo
Ruídos de um planeta perdido.
Mimzy
A CHAVE DO UNIVERSO

Sinopse: Quando dois irmões, Noah e Emma, acham uma caixa repleta de brinquedas irregulares, começam a se aventurar na magia e no encanto que estes lhes proporcionam, porém, percebem que não é uma brincadeira e que os objetos vieram de uma outra realidade.
Mimzy é um longa cheio de idéias, muitos encantamento, muita magia e boas intenções, além de uma bela mensagem. Porém, as suas idéias nunca são bem trabalhadas, o encantamento nunca maravilha e a magia nunca cativa. No final das contas, não passa de uma boa intenção. O filme ainda sofre de uma crise de personalidade, deslocado quanto ao seu público alvo. São poucas as crianças que ficarão satisfeitos com mais de 90 minutos de filme com pouco entretenimento e nenhum senso de aventura ou diversão e os pais podem achar o espetáculo um pouco tediante e redundante. Por esse motivo, entre outros que serão listados, Mimzy falha.
Como já foi dito, é um longa de muitas idéias, mas infelizmente nunca são desafiadas ou bem explorados. Em certo momento do filme, surge uma urgência relevante sobre o meio ambiente, mas esta dura menos de cinco minutos e o senso de aventura e diversão do filme nunca decola, falhando na hora de cativar seu público alvo e se tornando carregado, pouco charmoso e nada atraente, apesar de seu visual com efeitos legais. A premissa cerca a idéia de um novo mundo, outra realidade, sobre salvação, esperança, magia e maravilha, mas nada disso é explorado e o filme se revela inconclusivo e insatisfatório ao ficar garrado somente no óbvio, como se faltasse fôlego ou gás para acelerar e se tornar algo muito mais do que conseguiu ser.
Como se já não bastasse, o elenco decepciona. Os dois garotos não entregam carisma, especialmente a menina, que deveria ser a chave para o encantamento do filme, falha, se revelando péssima em todos os sentidos. O pequeno ator, Chris O'Neil, tenta, mas não sai vitorioso. Os coadjuvantes (os adultos) também estão muito mal, somente com o cômico Rainn Wilson se salvando da perdição. Mesmo assim, pode ter sido os diálogos extremamente mal escritos e os personagens falhados que tenham destruído o brilho que o elenco poderia ter proporcionado. É um roteiro bem fraquinho que parece se contentar em ser apenas uma idéia e o diretor brinca com visual e temas interessantes, mas nunca percebe o material que está em mãos e o que poderia se tornar.
Entre uma cena ou outra, Mimzy desperta o interesse, parece sempre querer se tornar algo maior, algo relevante, grande e enigmático, mas fica nessa mesmice o tempo inteiro. A falta de ritmo é um tremendo defeito, juntamente com o fraco elenco, o roteiro redundante e a direção inspirada mas mal focada e nua de ousadia. Boas intenções existem e o filme tem um bom coração, mas inteligência é necessário e a boa e contundente mensagem não bastou para me cativar ou emocionar. Fiquei extremamente decepcionado com o resultado. Apesar de não ter esperado muito do filme, acreditei em seu potêncial de se tornar fascinante, mas tudo não passa de puro aborrecimento.
[The Last Mimzy] De Robert Shaye. Com Chris O'Neil, Rhiannon Leigh Wryn, Joely Richardson, Timothy Hutton, Rainn Wilson, Kathryn Hann e Michael Clarke Duncan. [Drama, 90 minutos]


| Jeannette Catsoulis do New York Times | -- |
| Marcelo Hessel do Omelete | 40 |
| Suzana Uchôa Itibêre da SET | 70 |
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Segunda, 20 Agosto 2007
Resenha: Os Simpsons: O Filme
Pagando pra ver.
Os Simpsons
O FILME

Sinopse: É mais um dia ensolarado e anormal na casa dos Simpsons em Springfield, onde encontramos Homer competindo com seu filho Bart, que busca uma relação paterna com outro homem, que por sua vez irrita a Lisa, que está apaixonada e com o objetivo de acabar com o aquecimento global. Marge tenta manter a família unida de sua forma esquisita e Maggie se manifesta cada vez mais inteligente. Mas quando Homer deposita uma grande quantidade de merda de porco (literalmente) no lago, o governo é obrigado a construir uma redoma em volta da cidade, que produziu uma especie de monstro de mil olhos com a merda do lago. A cidade, com isso, se revolta contra Homer.
No início da projeção, isto é, após uma sequência inicial produzindo uma sátira política ácida com simples ratos como protagonistas, Homer chama todo mundo de otário. Apontando para a audiência, ele adverte que todos estamos ali, nos cinemas, pagando por algo que podemos ver de graça na televisão. E ele tá certo. Depois de 18 anos de Simpsons na televisão, chega o grande filme às telas grandes e não decepciona. Diferente da adaptação de South Park às telonas, Os Simpsons parece mais um longo episódio da televisão do que um evento cinematográfico de verdade, mas é incontestável a genialidade cômica da animação, que desbanca muitos filmes do ano com seu humor estupendo e inteligente.
A família amarela continua hilária, mantendo suas personalidades esquizofrênicas, com Homer se destacando, afinal, não é todo dia que você vê um pai trocando seu filho por um porco, do qual nomea de Porco-aranha e em seguida Harry Porco. Em seguida ele confessa que não gosta de pensar. Grande parte do filme gira em torno do ridículo da família. Como Bart andando de skate pelado e bebendo whiskey. Mas o filme vai além disso, contruindo suas críticas formidavelmente e entretendo com sua agilidez e sua narrativa esperta e agradável. O filme, girando em torno de 90 minutos, nunca cansa. Talvez o mais admirável seja a urgência do longa, produzindo sátiras políticas que se revelam extremamente cômicas e importantes também, ao mesmo tempo que zomba do modo de vida americano.
São as paródias que realmente agradam, como um policial comendo rosquinha pelo cano de sua arma e pouco antes disso, acreditando na palavra de um mafioso carregando um corpo dentro de um saco com o pé de fora, que dizia ser um saco de folhas. Dentro da casa branca, é Arnold Schwazenegger quem está sentado na sala oval e ao ser perguntado se não iria ler as opções dentre as quais escolheu seu número preferido ele diz: Eu fui eleito para liderar não pra ler." E assim segue a ousadia do filme, atacando por todos os lados, sejam os homosexxuais, os religiosos, os políticos, os defensores da lei, as donas de casa, os músicos, os atores, eles não poupam ninguém.
Por manter fielmente o espírito da serie, continuar com sua política homeriana e nunca deixar de ser estupidamente engraçado, Os Simpsons: O Filme se revela magnífico entretenimento, diversão como poucas. Com sua curta duração, seus personagens cativantes e seu humor irreverente e politicamente incorreto, me conquistou e agradará a todos que curtem uma animação que vá contra os padrões de humor, produzindo algo verdadeiramente genuíno e hilário, piadas das quais dificilmente esquecemos, cenas que permanecem em sua mente e um humor difícil de desgastar. Viva a família amarela e principalmente, Maggie, que sem dúvida terá seu pedido realizado em breve, para a felicidade de todos.
[The Simpsons Movie] De David Silverman. Com as vozes originais de Dan Castellaneta, Julie Kavner, Nancy Cartwright, Yeardley Smith, Harry Shearer e Hank Azaria. [Comédia, 87 minutos] (dublado)


| Roger Ebert do Chicago Sun-Times | 75 |
| Angélica Bito do Cineclick | -- |
| Ian Nathan do Empire | 40 |
| A.O. Scott da New York Times | -- |
| Marcelo Hessel do Omelete | 80 |
| Marcelo Hessel do Rolling Stone | 63 |
| Rotten Tomatoes | 89 |
| Kamila do Cinéfila por Natureza | 60 |
| Otavio Almeida do Hollywoodiano | 75 |

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Quarta, 15 Agosto 2007
Resenha: Sem Reservas
Simplesmente melo.
Sem Reservas

Sinopse: Kate é dona de sua própria cozinha, é apaixonada com seu trabalho e é super controladora, mesmo não consguindo controlar a si mesmo em momentos. Quando sua irmã morre, ela é dada a guarda da sobrinha, Zoe, que terá que se ajustar com a rotina carregada da tia. Para aumentar o entusiasmo e alegria na cozinha, é contratado Nick, um cozinheiro habilidosa que adora ópera e que inicialmente irrita intensamente os nervos de Kate.
Remake (sim mais um) de um filme alemão independente chamado Simplesmente Martha, Sem Reservas é produto típicamente hollywoodiano. As estrelas, o visual, o tema e o seu jeito inspirador de cativar a audiência. Infelizmente, o posto de melhor filme passado em uma cozinha do ano já tem dono, mas leve e contundente, Sem Reservas agrada, mesmo com seus defeitos. Catherine Zeta-Jones retorna com uma boa atuação e contra-cena com dois grandes atores do momento, Aaron Eckhart e Abigail Breslin.
Longe de ser ruim, Sem Reservas começa com um ar prazeroso de simpatia, elegância e cativa, se tornando imensamente agradável. Movido por uma belíssima fotografia e uma trilha sonora incrível de Philip Glass e confesso que não tem como expressar o quanto adorei suas composições e compilações, pois ficaram magníficas. Individualmente, as atuações também funcionam. Como já disse Zeta-Jones tem bom retorno e Eckhart, carismático, encontra equilibrio perfeito no seu personagem com a pequena miss sunshine Abigail Breslin não fugindo à regra, representando muito bem além de seu papel raso.
Após sermos movidos, cativados e levemente divertidos pelos diálogos espertos e o clima satisfatório, chega a um ponto do filme onde a melancolia reina e até certo limite conseguimos suportar, mas o ar melancólico se torna exagerado demais e o filme, que era agradável, se entrega à certos momentos bem irritantes, incluindo o final. Ou seja, o que era uma comédia dramática sem compromisso, vai contra seu slogan, se tornando algo exatamente feito por encomenda, um pouco mal trabalhado no roteiro e uma direção exageradamente melancólica. Felizmente, o diretor Scott Hicks nunca deixa o longa cair no melodrama, apesar dos momentos melosos e com tanta melancolia, é algo admirável.
Outro problema desagradável é a química inexistente entre a dupla principal que não transpira emoção ou paixão, mesmo que no roteiro fazem papeis de duas pessoas que se apaixonam. O que salva aqui é o fato de ambos serem ótimos atores e conseguem disfarçar, mas parece que a paixão pela cozinha se tornou mais importante ao longo da narrativa. Enfim, falhado, Sem Reservas é salvo pelo elenco, pelo visual contundente e a trilha sonora maravilhosa de Glass. Talvez não seja o melhor prato para se devorar nos cinemas, mas em casa, com a companhia certa, se revelará extremamente agradável e satisfatório. Um bom filme, mas que poderia ter sido muito mais.
[Sem Reservas] De Scott Hicks. Com Catherine Zeta-Jones, Aaron Eckhart, Abigail Breslin, Patricia Clarkson, Bob Balaban e Jenny Wade. [Drama, 103 minutos]


| Angélica Bito do Cineclick | -- |
| Roger Ebert do Chicago Sun-Times | 50 |
| Matt Zoller Seitz do New York Times | -- |
| Lívia Vilela do Omelete | 60 |
| Rodrigo Salem da SET | 70 |
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Sábado, 11 Agosto 2007
Resenha: Duro de Matar 4.0
Yippee Ki Yay Motherfucker
Duro de Matar 4.0

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Sinopse: Com a tarefa de não desgrudar os olhos de sua filha e protege-la a qualquer custo, Detetive John McLane leva uma vida tranquila até que entregam para ele outra simples tarefa, a de recolher um hacker e levá-lo à delegacia. Mais simples impossível. Mas a verdade é que Matthew Farrell estava marcado para morrer, junto com outros hackers que já conheceram o fim. Preso numa enrascada, McLane se vê protegendo o garoto da morte e lidando com uma crise de segurança nacional como nenhuma outra, quando Thomas Gabriel invade a segurança do país e ameaça acabar com tudo.
Desde 1988, quando John McLane enfretou sua primeira grande aventura, era visível seu ódio pela tecnologia e como o mundo estava evoluindo à base de máquinas e tal ódio se estendeu por muito tempo, passando por seus outros dois confrontos alucinantes. Por isso é irônico quando formos analisar que 12 anos após sua última aventura, o grande vilão que ameaça acabar com a vida de McLane e aterroriza o país do qual tanto ama é ninguém menos que a tecnologia, no seu estado mais evoluido e ameaçador. Sãos os computadores que substituem muitas armas e cenas de fogo, o que irrita McLane ainda mais, já que ele prefere o modo "old school" e o seu novo filme nos cinemas resgata bem o clima de "velha escola" e ao mesmo tempo sincronizando o herói no século 21. Tudo bem que o vilão do filme fica a maior parte do tempo em volta de computadores, mas pagamos para ver Duro de Matar e cenas de ação explosivas é o que definitivamente não faltam.
Por esse motivo, entre tantos outros, Duro de Matar 4.0 se revela um filme necessário para essa temporada nos cinemas, se tornando um dos filmes de ação mais eficientes e valiosos do ano, superando todos os filmes da serie de John McLane com exceção do original, ainda imbatível. Dirigido por Len Wiseman, o cara por trás da serie Anjos da Noite, juro que não estava com expectátiva alguma acerca desse filme, por não ter conhecido John ainda e com medo do que Wiseman poderia fazer, dado seu passado sombrio no cinema. Depois de ver todos os três filmes, me preparei para uma sessão de ação boa, com Bruce Willis comandando o espetáculo e ele realmente comanda! Willis ainda é o cara, e ele prova isso cena após cena, com seu carisma, diálogos deliciosos e sua brutalidade. Mas Duro de Matar 4.0 é tão bom e me surpreendeu tanto por causa da direção afiada e competente de Wiseman, que oferece uma das grandes revelações do ano, ele deixa a trama do filme instigante e o espetáculo visual e técnico sensacional, com cenas de ação absurdamente divertidas.
De início ao fim, Duro de Matar 4.0 é um prazer, entretenimento perfeito, deixando outro filme espetácular da temporada para trás, Transformers, mais grandioso, come poeira ao lado da exuberância e do show que é essa sequência imensamente satisfatória. Além da direção focada, o roteiro consegue funcionar, nunca deixando os clichês visíveis e deixando o clima do filme uma especie de mistura entre 24 horas e os outros filmes de McLane, juntando um pouco de inteligência, esperteza e claro, muita ação e adrenalina, com cenas exageradíssimas e de tirar o fôlego. Como exemplar de ação, o filme não só atende a proposta, mas vai muito além e pode apostar nele com um dos filmes de ação mais empolgantes da década. Uma decepção porém, foi o vilão, e não estou falando dos computadores, mas quem está por trás deles, Thomas Gabriel, ou melhor, o ator Timothy Olyphant, pouco carisma, zero genialidade, seu vilão não convence. Alan Rickman ainda é o melhor da serie. Fora isso, não há muito do que reclamar do filme, a não ser que você seja extremamente crítico e infeliz e odeie qualquer coisa que cause um pouco de barulho e emoção.
Como já disse, Bruce comanda super bem e ganha a ajuda humilde mas satisfatória de Justin Long, que carrega o fardo de grande parte dos diálogos cômicamente geniais e carrega muito bem. Maggie Q detona com John em uma cena e Winstead ficou legal como a filha que conheçemos no exemplar de 19 anos atrás. Duro de Matar 4.0 não só é recomendado para fãs de ação hardcore e para os fãs da serie, mas para qualquer pessoa que aprecie bom cinema, pois o longa alcança esse nível com competência. Nunca se revelando inverossímil, somente enxagerado como deveria ser, deixando de lado enrolações e clichês e se concentrando no seu objetivo principal, que é entreter, se revela, no final das contas, como uma obrigação. Quem deixar de ver estará perdendo algo bom demais e para quem teme que será ruim, veja o mais rápido possível, pois a surpresa é grande e claro, inesperadamente incrível.
[Live Free or Die Hard] De Len Wiseman. Com Bruce Willis, Justin Long, Timothy Olyphant, Maggie Q, Cliff Curtis, Kevin Smith, Marie Elizabeth Winstead. [Ação, 130 minutos]


| Vinicíus Pereira do Blog do Vinícius | 80 |
| Angélica Bito do Cineclick | -- |
| Johnny Strangelove do Cine JP | -- |
| Otavio Almeida do Hollywoodiano | 88 |
| Angie Errigo da Empire | 60 |
| Manohla Dargis do New York Times | -- |
| Marcelo Hessel do Omelete | 80 |
| Peter Travers do Rolling Stone | 63 |
| Roberto Sadovski da SET | 80 |
18:55 Escrito em Resenhas | Permalink | Comentários (3) | Enviar por e-mail































