Quinta, 16 Agosto 2007

Diretores: Parte III: Peter Jackson

Peter Jackson

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Dono de uma filmografia intimidante, Peter Jackson é mais conhecido como o mestre que orquestrou a grande saga da trilogia do Anel, como também do recente épico King Kong. Antes disso porém, Jackson havia feito outros filmes, incluindo uma obra maravilhosa bem mais modesta e simples que as aventuras na Idade Média e na Ilha da Caveira. Seu primeiro filme como diretor foi em 1976, com The Valley, um curta. Seu primeiro longa foi Bad Taste de 1987. Jackson também é roterista e produtor, além de agir como ator em certas pontas de seus filmes.

Dando sequência a minha retrospectiva modesta de diretores iniciada com Ang Lee e Clint Eastwood.

Abaixo, os 5 melhores de Peter:

01.O Senhor dos Aneis: O Retorno do Rei (2003)

"How do you pick up the threads of an old life? How do you go on, when in your heart, you begin to understand... there is no going back? There are some things that time cannot mend. Some hurts that go too deep... that have taken hold."

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Provavelmente um dos melhores épicos do cinema, ao lado de Ben-Hur, a terceira parte da trilogia gigante de Peter Jackson atingiu maestria e perfeição com seus momentos de grandiosidade e beleza extraordinária. A direção de Peter foi evoluindo ao decorrer dos capítulos e com O Retorno do Rei, alcança o impecável, misturando de forma sensacional aventura, emoção, drama, humor e tensão, seu filme é fantasticamente divertido e repleto de entretenimento com um visual revolucionador, irresistivelmente, genuinamente deslumbrante. As três horas e vinte de filme voam e a beleza é tão forte que é capaz de amolecer os corações mais duros. Simplesmente incrível.

Vencedor de 11 Oscar: Filme, Diretor, Roteiro Adaptado, Montagem, Trilha Sonora Original, Canção Original, Direção de Arte e Cenários, Figurino, Maquiagem, Efeitos Visuais e Mixagem de Som.

02.King Kong (2005)

"And lo, the beast looked upon the face of beauty, and beauty stayed his hand. And from that day forward, he was as one dead."

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Quase tão alucinante quanto O Retorno do Rei, King Kong surpreendeu, revelando que Peter escondia cartas debaixo das mangas não relacionadas ao mundo da fantasia de O Senhor dos Aneis e que não era uma jogada de sorte, mas sim, um diretor sensacional criando mundos, emocionando, entretendo e maravilhando, pois consegue realizar tudo isso com pouco mais de três horas de duração no inesquecível King Kong, um filme de beleza épica. Além do visual arrepiante, possui um roteiro muito bem escrito, movido pela paixão escancarada de Peter pelo projeto que cativa, diverte e emociona, tudo ao mesmo tempos. Um dos momentos mais inesquecíveis que já presenciei no cinema. Uma obra-prima.

Vencedor de 3 Oscar: Efeitos Visuais, Edição de Som e Mixagem de Som. Indicado a Direção de Arte.

03.O Senhor dos Aneis: A Sociedade do Anel (2001)

"It is a strange fate that we should suffer so much fear and doubt over so small a thing. Such a little thing." 

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O primeiro mergulho no mundo epicamente deslumbrante e fascinante de Peter Jackson, é um início emblemático e repleto de magia, em todos os sentidos. Foi o primeiro encanto com o visual e com o extenso elenco, além de ser prova de que Jackson era um diretor valioso, que sabia carregar grandes planos, belos diálogos e bons personagens. O tour de force da narrativa é algo incrível e somos movidos pela trilha e pela ambição do filme, pelo senso de grandeza, de magia e de beleza. Um grande filme, um belo filme, marcante e irresitível.

Vencedor de 4 Oscar: Fotografia, Trilha Sonora Original, Efeitos Visuais e Maquiagem. Indicado a 9 Oscar: Filme, Diretor, Roteiro Adaptado, Ator Coadjuvante, Montagem, Canção Original, Direção de Arte e Cenários, Figurino e Som

04.O Senhor dos Aneis: As Duas Torres (2002)

"A red sun rises, blood has been spilled this night."

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O mais fraco da trilogia é, ao mesmo tempo, o de mais diversão e aventura, contendo as batalhas mais épicas e excitantes do cinema que só viriam a ser superadas com o próximo filme. A parte técnica continua a surpreender e mesmo com um roteiro mais falho, a direção de Peter continua densa e ousada, emocionante e poderosa. Sua força na direção das cenas de batalha é algo incrível e a fascinação pela maravilha visual do filme é inevitável. Mais um grande e memorável filme, tão inesquecível e marcante. Além de que marca a verdadeiro aparição de Gollum/Smeagol, uma das criaturas digitais mais impressionantes do cinema.

Vencedor de 2 Oscar: Efeitos Visuais e Edição de Som. Indicado a 4 Oscar: Filme, Montagem, Direção de Arte e Cenários, Som.

05.Almas Gêmeas (1994)

"The next time I write in this diary, Mother will be dead. How odd... yet how pleasing."

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Longe de ser inferior aos outros filmes do diretor, foi o primeiro dele a ser notado, contando com o talento revelador de Kate Winslet, no auge da carreira e de Melanie Lynskey. É um poderoso, assombroso e hipnótico conto baseado em fatos reais que esbanja de beleza narrativa e um belíssimo roteiro. A direção de Jackson se revela única, repleta de imaginação, nunca contida, mas ousada e meticulosa. Seu filme é denso, intertextual, forte e imerso em paradoxos e beleza. Uma experiência maravilhosa.

Indicado ao Oscar de Roteiro Original.

Outro filme visto: Os Espíritos. Longe da maestria de seus outros 5 filmes, é trash e divertido, mas sem grandes atrativos.

Filmografia:

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Futuros projetos:

The Lovely Bones (2008) está em pré-produção, baseado em livro de Alice Sebold. Jackson irá roterizar e dirigir. Contará com os atores Ryan Gosling, Rachel Weisz, Susan Sarandon e Stanley Tucci.

Boatos o colocam como o diretor da adaptação de O Hobbit, mesmo após todo o conflito com o estúdio.

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Segunda, 13 Agosto 2007

Tarantino's Mind


Tarantino's Mind
Vídeo enviado por Lanzobr

Curta-metragem de Selton Mello e Seu Jorge, sobre a obra do diretor Quentin Tarantino. O documentário em si revela o que seria um código do diretor e mostra como Tarantino pensou desde o início, antes mesmo de dirigir, nos seus personagens e deu continuidade a eles nos filmes que fez a seguir.

Para qualquer fã de Tarantino ou até mesmo para quem ama cinema, é um curta brilhante e inteligente, com um roteiro super bem bolado e intrigante, além de ter Selton Melo e Seu Jorge representando maravilhosamente. Edição ótima, simplesmente necessário.

Cuidado: após assistir ao vídeo, uma vontade mortal de assistir à todos os filmes de Tarantino se apoderá de você.

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Segunda, 18 Junho 2007

Diretores: Parte II: Clint Eastwood

Clint Eastwood

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Além de excepcional diretor, Eastwood teve uma carreira estupenda como ator, o que na verdade lhe introduziu à hollywood. Desde 1955 Eastwood estrela todo típo de filme, principalmente os clássicos faroestes que os trazem como protagonista. Eastwood também é produtor e um compositor genial. Mas nada suspera sua habilidade incontestável em dirigir filmes da maneira mais bela possível. Clint Eastwood é, acima de tudo, um diretor brilhante! Seus primeiros filmes, de 1971, foram um curta-metragem e um filme estrelado por ele. Eastwood é do típo de cara ocupado demais e além de dirigir, produzir o filme, costuma estrelar a maioria e de vez em quanto compôr sua trilha sonora. Um diretor clássico, é bom relembrar sua carreira, seus melhores trabalhos e suas grandes revelações. Depois de minha retrospectíva modesta sobre a carreira ótima de Ang Lee, farei uma cobertura mais simples de agora em diante sobre os melhores diretores da atualidade.

O TOP 5 de CLINT: 

01. Sobre Meninos e Lobos (2003)

"Nós enterramos nossos pecados aqui, Dave."

Fiquei em dúvida sobre a primeira colocação, mas mesmo que Menina de Ouro seja extremamente comovente e tenha me afetado mais, ainda lembro da primeira vez que vi Sobre Meninos e Lobos, como fui chocado, maravilhado e deslumbrmedium_mystic_river.jpgado e a seguir, satisfeito. Lembro também de quando revi o longa e como fui vítima de minhas próprias emoções. Um filme soberbo, é um drama gloriosamente construído, um suspense intenso e um misterioso conto polícial que permanece em sua mente por anos à fio. Foi o melhor trabalho de direção de Eastwood, como retrata a dor, a perda e a angústia e como mergulha por completo na vida dessas pessoas assombradas, sufocadas e sofríveis. Em momentos chocante, em outros emocionantes e em outros puramente contendo algumas das melhores cenas do cinema, é um filme que me moveu muito e que guardo grande afeição. Além de ter me apaixonado pelo elenco e ter ficado de joelhos pelos talentos de Sean Penn e Tim Robbins, percebi aqui, o coração de Eastwood, sua paixão e seu dom extraordinário em construir sentimentos, emoções e personagens, pontos que ganharam ajuda do roteiro excelente e poderoso. Enfim, um filme único, tecnicamente impecável e puramente inesquecível. Foi o primeiro filme da nova safra ótima de Eastwood, após Dívida de Sangue e antes de Menina de Ouro.

O filme foi indicado à 6 Oscar, marcando o retorno de Eastwood ao pareo, incluindo melhor filme e melhor diretor, como também atriz coadjuvante e roteiro adaptado. Venceu em duas categorias: ator e ator coadjuvante, Penn e Robbins, respectivamente. Na minha opinião, merecia ter levado todos.

Curiosidades: Forest Whitaker era a escolha original para ser Whitey Powers, personagem de Laurence Fishburne e quase aceitou, mas teve que recusar por causa de outros conflitos.

O filme foi considerado como "Um dos 20 filmes mais superestimados de todos os tempos" pela Premiere. Odeio falar isso e sei que é uma revista muito famosa e de status, mas pelo amor de Deus, de quem foi essa idéia absurda?

 

02. Menina de Ouro (2004)

"Você vai me deixar denovo? - Nunca." {Mo Cuishle}

medium_million_dollar_baby.jpgA outra obra-prima de Eastwood, Menina de Ouro me pegou de surpresa, um emocionante drama que cravou em meu coração e me fez chorar, me emocionou profundamente e ficou em minha memoria por mêses. Eastwood molda, aqui, um filme honesto, simples, denso e profundamente belo, significante, poderoso, inesquecível. Atuações belíssimas do elenco, incluindo uma tocante do próprio Eastwood, que estrela o filme como protagonista e tem aqui também a melhor atuação de sua carreira. Swank é a que mais brilha, mas Eastwood marcou presença. Duas obras primorosas consecutivas, Eastwood dessa vez detonou e mostrou o quanto é um diretor forte e magnífico. Menina de Ouro é para todos que amam cinema, adoram um bom roteiro, boas atuações e acima de tudo, um filme dirigido de forma emblemática, pois essa é sem dúvida, uma das histórias mais dolorosas, tristes e perfeitas do cinema.

Dessa vez Eastwood conseguiu vencer mais uma vez, levando seu segundo Oscar de direção e seu filme levando mais três prêmios (incluindo filme, atriz e ator coadjuvante), foi indicado à mais 3, roteiro adaptado, montagem e ator (para Eastwood).

Curiosidades: Este é o número 25 de Eastwood como diretor, o número 57 como diretor e o número 21 como produtor.

Além de Ashley Judd e Sandra Bullock serem consideradas para o papel principal. A direção quase foi de Anjelica Huston, Shekhar Kapur e até mesmo de Paul Haggis.

 

03. Cartas de Iwo Jima (2006)

"Eu não sei nada sobre o inimigo. Eu pensava que todo americano era covarde. Eu fui ensinado que eram selvagens."

medium_letters_from_iwo_jima_ver8.jpgA outra e mais nova obra incrível do diretor chega como o segundo capítulo de um conjunto de obras que investigam soldados, sofrimento, honra e os horrores da segunda guerra mundial. Enquanto A Conquista da Honra revela o lado americano, o melhor e mais denso Cartas de Iwo Jima foca no lado japonês da batalha, afinal, para cada moeda há dois lados e em uma guerra, não há inimigos, somente heróis, e a homênagem belíssima de Eastwood funcionou como ouro. Seu longa é obscuro, sombrio, fotografado de forma bela mas cinzento e ofuscado, como a batalha provavelmente tenha sido e como os soldados deveriam estar se sentindo. O filme foca nos sentimentos e nem tanto no ato da guerra, mais nas estratégias e como a guerra em sí afetou os soldados, como eles chegaram ali, suas intenções e suas ambições. É um poderoso e instigante filme, que move lentamente, mas se revela inquietante, significante e feito com imensa maestria. Um trabalho de direção sensível e tocante. Tudo no filme funciona, até os mínimos detalhes. E claro, para ser ousado, Eastwood tem aqui, seu primeiro filme estrangeiro, falado em dialeto japonês.

Mais um oscarizável filme, dessa vez Eastwood perdeu, mas foram 4 indicações no total, incluindo filme, diretor e roteiro original. O longa levou o de edição de som.

Curiosidades: Foi filmado diretamente depois de A Conquista da Honra e foi originalmente chamado de: "Sol Vermelho, Areia Preta".

 

04. Os Imperdoáveis (1992)

"Tudo bem, estou saindo. Qualquer homem que ver por aí, irei atirar nele. Qualquer 'sumbitch' tentar atirar em mim, não só vou matá-lo, mas matarei sua mulher, todos os seus amigos, e queimar sua casa até o chão."

medium_unforgiven_ver2.jpgO astro inesquecível de inúmeros faroestes, Eastwood decidiu compôr o seu próprio e acabou fazendo o meu filme de faroeste preferido. Denso e emblemático, não é só sobre caubóis, cavalos, tiroteis e violência, mas sobre personagens, conflitos e Eastwood cria um bom drama, recheado de personagens inesquecíveis e diálogos ótimos, além de tramas bem construídas e que vencem seu coração e sua mente, ao ser entretido e comovido por elas. Eastwood também estrela, e se junta com grande atores para compôr essa grande história de faroeste, climática, tecnicamente ótima e recheada de brilhantismo, com bom roteiro e uma direção acertada do diretor, apaixonada e significativa. Um filme importante.

Foi o primeiro Oscar de direção de Eastwood, acompanhando com o de melhor filme. Clint ainda foi indicado por melhor ator. O filme recebeu mais dois premios (ator coadjuvante e montagem) e mais quatro indicações (incluindo roteiro original, fotografia, direção de arte e cenários e som).

Curiosidades: Clint Eastwood considerava este o último filme do qual atuaria e dirigia, mas indo contra sua palavra, dos onze filmes dos quais dirigiu após Os Imperdoáveis, somente quatro não foram estrelados por ele. Eastwood dedicou esse filme aos seu mentores Sergio Leone e Don Siegel.

Foi o terceiro faroeste a vencer o Oscar de melhor filme, depois de Cimarron (1931) e Dança Com Lobos (1990)

 

05. A Conquista da Honra (2006)

"Heróis é uma coisa que criamos, uma coisa que precisamos. É um modo de nós entendermos o que é quase incompreensível, como as pessoas sacrificariam tanto por nós, mas para o meu pai e para esses homens os riscos que tiveram, os ferimentos que sofriam, eles fizeram isso pelos amigos deles, eles podem ter lutado para o país deles mas eles morreram por seus amigos."

medium_flags_of_our_fathers.jpgNesse diálogo o filme de Eastwood se resume. A alma do filme é retratar como é ser um soldado e como ser um herói e como estar numa guerra é o simples fato de tentar defender seu amigo, o soldado do lado. Eastwood cria um empolgante visual, com fotografia e efeitos especiais excelentes para contar essa história, a primeira parte de seu conto sobre a segunda guerra mundial. Além de focar nos personagens, os soldados e deixar os atores carregarem o filme, Eastwood esquece das batalhas e decide entregar mais densidade nas emoções e o que foi provocado por ela, como a grande mentira de como a guerra foi vendida aos EUA por uma simples imagem que mudou a face do planeta. Um forte e poderoso filme, comovente e único em sua composição. Uma bela homênagem.

Aqui Eastwood ficou de coadjuvante no Oscar, já que seu segundo filme (Cartas de Iwo Jima), recebeu a glória merecida. Mas conseguiu, aqui, duas indicações, por mixagem e por edição de som.

Curiosidades: Spielberg iria dirigir a adaptação do livro, mas descontente com o roteiro, quardou-o na gaveta, só para ser abordado por Eastwood algum tempo depois.

Ambos os filmes juntos custaram menos de $70 milhões e ambos juntos lucraram mais de $135 milhões só nos cinemas americanos.

Outras pérolas:

As Pontes de Madison

Dívida de Sangue

Caubóis do Espaço

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