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Quarta, 12 Setembro 2007

Resenha: Paris, Te Amo

Eles fazem por amor.

Paris, Te Amo

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Sinopse: Uma coletiva de 18 curta-metragens de diretores e atores de diversas nacionalidades, revelando os segredos, a paixão e o romance por trás da capital da França, Paris.

Paris, Te Amo é uma sessão mais que agradável, é contundente, relaxante e que te deixa sentindo bem. São 18 curtas e muitos podem não funcionar da melhor maneira, mas o que é certo é que juntos, como um todo, funcionam maravilhosamente, cumprindo a proposta e satisfazendo a audiência com inventividade, genialidade e brilhantismo, apesar de alguns vazios e simplórios. Defendendo o brilho da capital famosa e apaixonante, fazendo uma verdadeira declaração de amor a esta, é uma coletiva excepcional e que te deixa com água na boca. Além de bom roteiros e direção, conta com um belíssimo visual, trilha e parte técnica excelente. Sem dúvida, poderiam ter mais filmes como Paris, Te Amo por aí.

Abaixo, listo cada um dos 18 curtas, em ordem de preferência:

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O melhor...

Le Marais. [de Gus Van Sant. com Gaspard Ulliel e Elias McConnel]
O primeiro curta a realmente encantar, Gus Van Sant utiliza de sua já conhecida sutileza para contar uma história de amor discreta com teor homoerótico. Para os mais desatentos, tal fato pode passar despercebido. O curta consiste de um monólogo de um jovem com fortes intenções de amor, apesar de suteis, se dirigindo à outro jovem. Van Sant toca bem na frustração do amor e na falta de comunicação, já que o jovem - que não sabe falar francês muito bem - não entende muito o que o outro disse. De qualquer forma, como que por impulso, vai trás dele. Pontos para a brilhante trilha sonora e fotografia.

a86624a64c4a5866ccfbf5736503ec4b.jpg14 Arrondissement. [de Alexander Payne. com Margo Martindale]
O curta a finalizar a coletiva é encantadoramente belo e provavelmente o único que faz, literalmente, uma homenâgem de amor à cidade de Paris. Terno e meticuloso, se concentra na personagem de Margo Martindale e em sua depressão e solidão ao apreciar as paisagens belíssimas de Paris. Sozinha e frustrada com relações passadas, Margo, no final das contas, percebe que se apaixonou pela cidade. O curta é todo um monólogo e te tocará bem fundo no coração. Sentimenal, na medida certa, original e irresistível. O diretor sempre ótimo Alexander Payne acerta novamente.

Loin Du 16E. [de Walter Salles e Daniela Thomas. com Catalina Sandino Moreno]3bf6d49d82e4d5b533b21dbd9aef33ad.jpg
O curta dos brasileiros Salles e Thomas é um dos mais belos e tocantes da projeção. Protagonizado pela excelente Moreno, o curta segue a rotina - obviamente diária - de uma mãe, que deixa seu neném rescem nascido sozinho para atravessar a cidade para cuidar de outro, que não é dela. Triste, é um conto de amor materno maravilhoso e acerta em todas as notas possíveis. Mais um que utiliza de sutileza e sempre observador e envolvente.

dd43bd666dc279f18c0f63d5004894b3.jpgTuileries. [de Joel e Ethan Coen. com Steve Buscemi]
O mais bem humorado de todos os curtas vem de, claro, os irmãos Coen. Recheado de humor negro, o curta se passa numa estação de trem. De um lado, um turista observador e curioso e do outro um casal apaixonado pegando fogo. Sem conseguir desviar o olhar, o casal chama atenção do turista. Não direi mais nada para não estregar, mas é uma clara declaração de que o amor vence tudo, acima de tudo. Steve Buscemi está ótimo como o turista e os irmãos Coen mesclam muito bem estilo, diálogos ótimos e sua mensagem importante e engraçada.

Place des Fêtes. [de Oliver Schmitz. com Aíssa Maíga e Seydou Boro]
Mais um triste porém efficiente curta. Schmitz é uma grande revelação, ao contar uma história de amor sofrido e inesperado, trágico. Dois ótimos atores em personagens comoventes na história cativante sobre um homem que se apaixona por uma garota e por ela, acaba se ferindo. Coincidentemente, é ela - uma enfermeira - quem trata dele depois. Tocante.

541dfd25b459f4d21ce861141a33aa55.jpgQuartier de la Madeleine. [de Vincenzo Natali. com Elijah Wood e Olga Kutylenko]
Provavelmente o menos sutil de todos, a exuberância e a ousadia ganha contornos intensos nesse curta nada convencional. Wood faz um personagem que presencia uma vampira - sim! - matar um homem. Após isso, se torna num jogo de paixão e sacríficio entre a vampira e o mortal em um curta dark, engraçado e competente. Pontos para o fantástico visual.

Parc Monceau. [de Alfonso Cuáron. com Nick Nolte e Ludivine Sagnier]d58bbe5efc517560d4cd6ec7d0566346.jpg
Original e simples, este curta segue um diálogo interessante entre um pai e sua filha ao andar numa calçada. Leve e efficiente, não possui a carga emocional de nenhum dos curtas acima, mas é competente e genial em conteúdo, principalmente roteiro e fotografia.

Bastille. [de Isabel Coixet. com Miranda Richardson e Sergio Castellitto]
Um triste e belo curta, sobre a conquista do amor após a perda dele. Foca em um casal com dificuldades e o homem - que já tendo um caso - planeja deixar sua esposa. Até saber que esta se encontra diagnósticada com leucemia. Seu mundo desaba e ele aprende a amar sua esposa até sua morte. Marcante.

Torre Eiffel. [de Sylvain Chomet. com Yolande Moreau e Paul Putner]ab04dd483e828f4ade24c74b4d76f3d2.jpg
O mais ousado de todos os curtas, conta com um tremendo visual e uma história nada comum. O curta envolve um garotinho contando a história de como seus pais de conheceram. Seu pai - um mímico - exuberante e palhaço, se metendendo em atrapalhadas até ser preso e lá encontrar outra mímica - seu futuro amor. Para poucos, é ótimo na originalidade e inventividade, possui humor de sobra.

c25b048910505c7a7c908efcabb5c14f.jpgPère-Lachaise. [de Wes Craven. com Emily Mortimer, Rufus Sewell e Alexander Payne]
Como não poderia deixar de ser, esse curta de Wes Craven - clássico do terror - se passa num cemitério. É nesse lugar onde os noivos começam a questionar sua felicidade e se merecem estar juntos. Após um pequeno acidente com o noivo, ele encontra o romântico e supostamente morto Oscar Wilde (participação de Payne) dando dicas. É com isso que resgata novamente o amor de sua amada com um grande sorisso. Bem humorado e contundente.

Faubourg Saint-Denis. [de Tom Tykwer. com Natalie Portman e Melchior Belson]99a225d536349c28f21812d088fb2ab5.jpg
Incomum e irregular, esse curta se move rapidamente e o diretor investe mais no visual, no estilo e na parte técnica, que se sai maravilhosamente. É uma grande canção sobre um amor jovem e doce que não tem fim. Portman é uma atriz que encontra amor ao seguir o cego mas carismático Belson pela cidade de Paris. O final ainda gera discussões em minha cabeça.

6cad81591ab9b1b9dc012001efebba5c.jpgQuais de Seine. [de Gurinder Chadha. com Paul Mayeda Berges e Leíla Bekhti]
A qualidade começa a decair com esse simples curta sem grandes atrativos. É interessante, mas de certa forma simplório. Segue o amor à primeira vista de um jovem garoto com uma árabe, a seguindo até ela perceber suas intenções. Faltou um final melhor e química entre os atores.

Quartier des Enfants Rouges. [de Oliver Assayas. com Maggie Gyllenhaal]
Esse curta estranho segue mais as loucuras de uma jovem atriz por Paris, movida a drogas, do que ao amor em sí. Longe de ser ruim, parece não conseguir se adequar a proposta. Gylenhaal o salva como a brilhante atriz que é e o trabalho de direção de Assayas não é de todo ruim. Faltou algo porém.

0799b1c0db960ba4e298085268b1d559.jpgPlace des Victories. [de Nobuhiro Suwa. com Juliette Binoche e Willem Dafoe]
Um curta contemplativo e triste, focado na assombração de uma mulher pela perda de seu filho. O amor materno aqui não funciona tão bem como o curta de Walter Salles e fica raso em relação à carga emocional e cativação, mas o elenco convence e o visual também.

Pigalle. [de Richard LaGravenense. com Bob Hoskins e Fanny Ardant]c91341bc8fecb6094a89ac8a449ff820.jpg
Funciona por provar que os personagens dessa coletiva realmente fazem tudo por amor, mas além disso, a relação romântica em sí deixou a desejar e nem os atores conseguiram emocionar. Cerca a frustração da vida amorosa e sexual de um casal mais velho.

Montmartré. [de Bruno Podalydés. com Bruno Pdalydés e Florence Muller]
O curta que abre a coletiva deixa a desejar. Vazio e pouco convincente, começa com um homem frustrado sentado em seu carro. Ao socorrer uma mulher desmaiada e a levar ao seu carro, parece finalmente encontrar amor. Os atores fazem bem e o visual também, mas é muito incerto.

Quartier Latin. [de Frédéric Auburtin e Gerard Depardieu. com Gena Rowlands, Ben Gazarra e Gerard Depardieu]
Fraco e faltando emoção, discute a relação amorosa de um casal de idosos. Rowlands está ótima, mas o curta é outro vazio e nada convincente.

Porte de Choisy. [de Christopher Doyle. com Li Xin e Barbet Schoroeder]
Ousadia é sempre bem-vinda, menos quando é mal utilizada. Esse curta é um festival de cores e exuberância, mas faltou conteúdo e Doyle esquece completamente que faz parte de uma coletiva de declaração de amor à Paris. Ele parece ser apaixonado somente por cores e irregularidade.

[Paris, Je T'aime] De vários. Com vários. [Romance, 120 minutos]

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...e o pior.
  Vinicius Pereira do Blog do Vinícius 60

Comentários

Quero muito, muito ver esse filme!
Pena que já saiu de cartaz por aqui... Fiquei muito interessado pelos curtas de Gus Van Sant e Alexander Payne.
Além de eu ser um completo apaixonado pela capital francesa (a cidade que mais quero conhecer), creio que essa coletâneas de curtas será uma homenagem digna a cidade das luzes.

Escrito por: Matheus Pannebecker | Quinta, 13 Setembro 2007

Não sou muito fã de filmes que reúnem vários curtas porque existe um certo desnível entre histórias boas e ruins. Mas, tenho curiosidade de assistir "Paris, Eu Te Amo" porque, além de apaixonada pela cultura francesa, amo a capital da França.

Escrito por: Kamila | Quinta, 13 Setembro 2007

Não tenho nenhum problema com este tipo de realização...longa de vários curtas!
É como ler um livro de vários contos...
Paris, Te amo parece ser bem diversificado e criativo!
Quero muito ver!
abraçoo

Escrito por: Wiliam | Quinta, 13 Setembro 2007

Que bom que gostou desse filme, Wally, quase dou 4 estrelas também - só não fiz isso porque alguns curtas me irritaram. Do que você escreveu, só discordo em relação aos segmentos dos irmãos Coen e do Sylvain Chomet, para mim entre os piores (mas concordo que o mais fraco é mesmo esse do Christopher Doyle). Seus dois primeiros colocados também são meus preferidos. É impossível não se emocionar com o do Alexander Payne. Quanto ao do Gus Van Sant, me deixou com um enorme aperto no peito para saber o que aconteceu em seguida. Belo post!

Abraço! ;-)

Escrito por: Vinícius P. | Sexta, 14 Setembro 2007

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