Sábado, 08 Setembro 2007

Os últimos vistos em DVD

Casablanca

f0573590452f0da15f761aaf0d00c7c3.jpg[Casablanca] De Michael Curtiz. Com Humphrey Bogart. Drama [1942] (R)

Um eterno e inesquecível clássico, nada é tão bom e prazeroso como rever essa belíssima obra-prima. Reunindo todos os valores e virtudes presentes na realização de uma obra cinematográfica, Casablanca proporciona uma experiência contundente e deslumbrante de 100 minutos, dos quais conhecemos personagens marcantes e um lugar onde tudo pode acontecer. Com maravilhosas performances do elenco, em especial da linda Ingrid Bergman, como também Humphrey Bogart, Paul Henreid e Claude Rains. Mas o elenco é apenas um dos fatores impecáveis desse longa. O roteiro foi extremamente bem escrito e os diálogos fluem com uma maravilhosa densidade e relevância. Cada fala é importante, cada expressão de cada personagem merece ser valorizado. É um filme miniciosamente detalhado, arquitetado de forma meticulosa pelo diretor brilhante Michael Curtiz, que resgata amor, guerra e intriga em um pacote só. Ao contrário de muitos filmes dessa época que levavem três horas para contar sua história, Casablanca leva menos de duas. Nunca incomoda, nunca cansa e só satisfaz. É um delírio de filme, desde sua composição até sua majestosa exibição. Para deixar qualquer cinéfilo babando.

Vencedor de 3 Oscar: Filme. Diretor. Roteiro. Indicado a 5 Oscar: Ator (Humphrey Bohart). Ator Coadjuvante (Claude Rains). Fotografia. Edição. Trilha Sonora.

As Confissões de Schmidt

9353ed02739a9e5b31cef346d63065f9.jpg[About Scmidt] De Alexander Payne. Com Jack Nicholson. Drama [2002]

Este é um trágico filme. No sentido de que o protagonista é completamente infeliz. Schmidt não só vive uma vida sem surpresas, monótona e sem sentido, mas acaba tendo que lidar com a morte de sua esposa e desvenda um segredo que possívelmente havia morrido com ela, que o deixa ainda mais devastado. O brilhante filme de Alexander Payne esconde um maravilhoso e genial roteiro, que não só constrói um memorável e denso personagem, mas o cerca com elementos trágicos da vida, inserindo um pouco de humor negro no meio do caminho. O que faz do filme tão bom, porém, deixando de lado a soberba performance de Jack Nicholson, que toca em todas as notas certas, é a forma como Payne o finaliza. É de dar dor no coração, mas não por ser triste, por ser contundente e maravilhosamente comovente, sem forçar para manipulação, nunca soando forçado. Schmidt acaba se tornando seu amigo e um eterno personagem cinematográfico do qual nunca esquecerá. O diretor que também fez os ótimos Sideways e Eleição continua a me surpreender com sua competência e principalmente sua originalidade. É um forte e excepcional roteiro e sua direção é focada,  o elenco impecável. Além do incrível Nicholson, temos Kathy Bates em estranho mas engraçado papel, um irreconhecível Dermot Mulroney e Hope Davis. Sem dúvida, recomendável.

Indicado a 2 Oscar: Ator (Jack Nicholson). Atriz Coadjuvante (Kathy Bates).

Um Astro em Minha Vida

b2884cc1484c1aaee862c148103e0173.jpg[10 Items or Less] De Brad Silberling. Com Morgan Freeman. Drama [2006]

Construido com uma simplicidade imensa, o novo filme de Morgan Freeman é uma tocante jornada ao descobrimento de quem você realmente é, sem pieguice. Freeman retrata ele mesmo no filme, como um ator decadente em busca de um projeto independente que vai parar em um supermecado pequeno em busca de inspiração para seu personagem. Incrível é que Um Astro em Minha Vida parece ser exatamente o projeto independente que seu personagem vai atrás no filme. Contracenando com ele temos Paz Vega, que esbanja carisma e talento. Juntos formam ótima química e entregam diálogos ótimos em um clima leve e descompromissado, fora, claro, boas performances. É um longa de menos de 80 minutos e sua simplicidade é intensa, começa e logo já está terminando. Com isso, proporciona uma experiência curta, apesar de eficiente. As intenções dos roteristas são claras ao final da projeção e é um comovente filme que infelizmente se arrasta um pouco no meio do caminho mas sempre arruma um jeito de se recuperar. A estrada é curta, mas pode proporcionar grandes risadas e uma história de amizade como poucas. Nada extraordinário, é um bom filme e que merece ser conferido, sem sombra de dúvida.

Hora do Rush 2

855b23061a68df4feeb7e5e836793b56.jpg[Rush Hour 2] De Brett Ratner. Com Jackie Chan. Ação [2001] (R)

Para a imensa surpresa de quem curtiu o primeiro filme, essa sequência é um raro caso onde o original ganha certas melhorias no divertimento. Mesmo que no quesito roteiro seja um filme extremamente vazio (no primeiro o enredo era plausível), aqui são muitas desculpas esfarrapadas para cenas de ação rolarem soltas e o humor tomar conta da audiência. Felizmente, funcionou. Afinal, quem ver Hora do Rush esperando algo denso e relevante provavelmente não bate bem da cabeça. O filme, então, funciona muito bem como mais uma aventura com Chan e Tucker, numa química melhorada, cheios de bons momentos, piadas ótimas e cenas de ação ainda mais bem coreografadas. Ratner investe no estilo e no visual, mas nunca recorre à sensacionais efeitos especiais, deixando seus atores brilhararem em meio à confusão e atrapalhadas. Ainda temos a coadjuvante Zhang Ziyi lutando como uma fera e irritando Tucker. Uma sessão leve, divertida e irresistível. Nada melhorar para esfriar a cabeça e simplesmente se deixar levar pela diversão e ótimo entretenimento.

Hora do Rush

95b9a0e8bbe44d7b6bd149ba55ceee40.jpg[Rush Hour] De Brett Ratner. Com Jackie Chan. Ação [1998] (R)

Proporcionando ótima diversão com uma mistura de comédia e ação eficiente, Hora do Rush iniciou em 98 com um roteiro formulaico, mas cativou por seus dois protagonistas e algumas idéias inspiradas e criativas. Jackie Chan e Chris Tucker formam a dupla perfeita, com excelente química, juntos causam grandes atrapalhadas e cenas de ação, com pitadas ótimas de humor, principalmente de Tucker, que parece nunca calar a boca, mas sempre que a abre possui algo engraçado para dizer. Brett Ratner não é nem de longe um fantástico diretor, mas sabe utilizar os elementos presentes para entreter a audiência e sempre divertir. Com menos de cem minutos, é um longa rápido, eficiente em sua proposta e que não decepciona nem os fãs dos atores, nem aos fãs da mistura de comédia com ação. Enquanto temos algumas cenas de ação inesperadamente bem coreografadas e corridas alucinantes pelas ruas de Los Angeles, encontramos também hilários segmentos, na maioria das vezes sobre a falta de comunicação entre Chan e Tucker. Enfim, bom divertimento que mesmo depois de quase dez anos ainda não conseguiu se desgastar e ainda gera sequências.

As Férias de Mr. Bean

e63be6753ef67e69d92ce07a5fa17ab7.jpg[Mr. Bean's Holiday] De Steve Bendelack. Com Rowan Atkinson. Comédia [2007]

Fiquei surpreso com esse filme de Mr. Bean, do qual inicialmente não dava nada. A criatividade rola solta na produção que nunca possui um momento nu de inspiração. Rowan Atkinson está ótimo como Bean, se metendo nas atrapalhadas mais grotescas e hilárias possíveis, no seu caminho para Cannes. O longa possui muitos momentos engraçados e oferece divertimento irresistível, além de nunca decepcionar nem no visual e nem na forma como decide direcionar a narrativa do filme, que flui de forma constante, sem equívocos, sem parecer carregada e termina com uma nota agradável e contundente. Os fãs de Mr. Bean ficarão extremamente felizes com o resultado e para quem ainda não o conheçe, é uma boa indicação para iniciar. Gostei muito e recomendo sem pesar, uma sessão descompromissadamente divertida e engraçada, incluindo alguns dos momentos mais cômicos do ano, como uma cena onde Bean decidi cantar ópera. Um ótimo pedido para qualquer hora do dia.

A Última Cartada

49a417b69daf7ea5cae6264bc15badfa.jpg[Smokin' Aces] De Joe Carnahan. Com Ryan Renolds. Ação [2006] (R)

Esse é do típo de filme "estilo, não substância", realizado com pompa, uma seleção imensa de nomes importantes de astros famosos, e inúmeras sequências que investem no visual ao invés de roteiro. Felizmente, Joe Carnahan sabe fazer um equilibrio agradável entre estilo e substância e mesmo que na maioria das vezes o filme está em grande falta do segundo e em overdose do primeiro, acaba funcionando como entretenimento fervorosamente explosivo. O elenco funciona na hora de divertir, com destaques para Alicia Keys, Ryan Renolds e Jeremy Piven. Carnahan tenta bolar uns momentos dramáticos fora do ar que soam deslocados, mas nada que incomode demais, pelo contrário, oferece um descanso entre um tirotéio e outro. Algumas sequências de ação ficaram extremamente bem feitas, mas no final das contas você acaba desejando que tivessem roteristas mais habilidosos na construção da trama e dos personagens. Quando chega no final, você fica até sem saber como tudo chegou onde chegou. O filme termina todo embaralhado (o trocadilho foi inevitável) com alguns azes na manga, mas oco em genialidade e brilhantismo. Mesmo assim, é recomendável por se adequar a sua proposta e entregar com estilo o que prometeu.

Viagem Maldita

25a42ea7b544138c7fadbe7bf1fd902c.jpg[The Hills Have Eyes] De Alexandre Aja. Com Aaron Stanford. Terror [2006] (R)

Um forte e intensamente sangrento remake de um clássico do terror de Wes Craven, Viagem Maldito é um caso raro onde os remakes do gênero acabam funcionando. Mais pelo excesso de sangue e gore e o senso elevado de suspense e tensão, já que dramaticamente não funciona, mas apesar de seus defeitos, o roteiro se revela plausível, principalmente se levarmos em conta a proposta do longa e o fato de que cumpriu com competência e efficiência ela. O visual funciona, a trilha funciona, os atores funcionam e os litros de sangue funcionam. Recomendável e sem dúvida divertido, apesar de ser um pouco desagradável quando descamba demais para o sadismo. Mas o longa raramente cruza a linha que separa o plausível e o implausível e se mantém no equilibrio certo para agradar e desagradar, conforme pede a audiência, já que possui certa intensidade forte em relação à violência e mutilação. Um bom filme do gênero.

Invencível

dcbff25c2fa6a6dd268616620c78858d.jpg[Invincible] De Ericson Core. Com Mark Wahlberg. Drama [2006]

Mais um filme na cartela da Disney baseado em fatos reais e inspirador. Porém, como os ótimos Estrada Para a Glória e O Melhor Jogo da História, funciona. Mais por ser contundente, inspirador e cativante, além de possuir um belo visual, incluindo ótima fotografia e nem tanto pelo superficialismo e a previsibilidade, que cerca a maioria dos momentos. Os atores conseguem elevar o filme a outro patamar. Wahlberg está bem e Greg Kinnear está estupendo, rouba o filme. Um longa agradável, típico e que possui um personagem tentando vencer conquistando seus sonhos, além de que é mais um filme sobre futebol americano, mas a Disney possui uma magia de conquistar e mesmo manipulador em muitos momentos, Invencível acaba cativando com sua honestidade, simplicidade e sua habilidade memorável de comover. Um filme legal, bem leve, mas que não é para ser levado a sério, e nem merece.

O Retorno dos Malditos

a963d1ae9d5ad0c8999330bfde897542.jpg[The Hills Have Eyes II] De Martin Weisz. Com Michael McMillian. Terror [2007]

Sequência fraquíssima, é um longa que se comparado ao anterior se revela ridículo e nem isoladamente consegue produzir uma sessão ao menos divertida. Parece investir demais no gore, no sangue, nas mutilações e nos estupros e se esqueçe do roteiro completamente. Implausível e inaceitável na maioria das vezes, só não se revela um lixo completo por ter algumas cenas tensas, mas é só. Na verdade, é até admirável ter fugido da premissa do anterior, de uma familía viajando de férias e por isso, não soa episódico, mas o filme é desagradável a todo momento. Além de que os atores são péssimos, o filme sofre de uma falta de inspiração tremenda e a criatividade se esgota logo no início. Para piorar e irritar, ainda tenta se levar a sério, fazendo declarações sobre escolhas erradas de Bush sobre a guerra. Concordo com tal opinião, mas o longa a recita terrívelmente e de forma estúpida. As escolhas péssimas do roteiro não param por aí, incluindo um final completamente clichê e irritante, apontando para uma possível sequência. No fim das contas, é do típo de filme do gênero que é bom passar longe, não proporcionando nada de novo e nem ao menos se revelando divertido. É bem melhor rever o primeiro do que gastar 88 minutos com essa continuação.

Comentários

Vou ficar somente nas cotações, pois o horário do almoço está acabando...
***Casablanca
*****As Confissões de Schmidt
***A Hora do Rush
***A Hora do Rush 2
****As Férias de Mr. Bean
****Viagem Maldita

Escrito por: Alex Gonçalves | Segunda, 10 Setembro 2007

Quantos filmes.

Amo "Casablanca" - para mim, a mais bela história de amor do cinema.

Adoro "As Confissões de Schmidt" - uma grande atuação do Jack Nicholson.

E os dois "A Hora do Rush" são razoáveis. O que gosto mais nos dois filmes, além das cenas de ação, são aquelas cenas que colocam os dois personagens principais tentando se fazer entender.

Escrito por: Kamila | Segunda, 10 Setembro 2007

Nossa, dessa vez vi pouquíssimos. Preciso urgentemente ver "Casablanca", fica a dica depois de seus comentários. Também não vi "Um Astro em Minha Vida", "Viagem Maldita", "Invencível" e "O Retorno dos Malditos" (e o único que tenho alguma vontade de conferir é o primeiro destes). Quanto à série "A Hora do Rush", nem comento, pois como o Otavio disse em um post do Hollywoodiano, não dá pra lembrar de nenhuma cena de filmes como esse. Contudo, lembro que achei o primeiro levemente superior (apesar de ambos serem regulares). Os demais:

8.0 [****] AS CONFISSÕES DE SCHMIDT: Como você disse, o final é a melhor parte, chorei pacas. O roteiro do Payne é outro destaque, mas na direção a coisa não funcionou tão bem (começa muito bem, depois cai de qualidade, e termina de forma excepcional).

4.5 [**] AS FÉRIAS DO MR. BEAN: Até que gosto do personagem na série de TV, mas achei esse filme tão sem graça quanto o anterior.

6.0 [***] A ÚLTIMA CARTADA: Uma decepção se comparado ao trabalho anterior do Carnahan, "Narc", contudo um bom filme policial. É por vezes exagerado além da conta...

Abraço!

Escrito por: Vinícius P. | Segunda, 10 Setembro 2007

Dessa vez só vi As Confissões de Schmidt, o qual irei admirar até os fins de minha vida. Brilhante em praticamente tudo, merecia muito mais do que recebeu.

OBS: Meu Deus, eu não sabia que a cópia de O Segredo de Berlim em cima de Casablanca chegava ao ponto de ser IGUAL no pôster!

Escrito por: Matheus Pannebecker | Segunda, 10 Setembro 2007

Matheus, trata-se de uma homenagem assumida do Steven Soderbergh a "Casablanca", por isso os pôsteres semelhantes. Abs!

Escrito por: Vinícius P. | Terça, 11 Setembro 2007

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