Terça, 28 Agosto 2007
Resenha: O Ultimato Bourne
Maneiras extremas.
O Ultimato Bourne

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Sinopse: Constantemente atormentado pelas dúvidas de seu passado e em constante busca pela sua verdadeira identidade, o agente Jason Bourne volta a aterrorizar o governo americano, cansado de ser manipulado e desesperado em busca de respostas. Os agentes da CIA não poupam esforço na caça de Bourne, que cada vez mais se torna uma ameaça mais forte, abrindo feridas e revelando falhas no sistema.
A Identidade Bourne, dirigida por Doug Liman, serviu como um refresco, um novo começo para um gênero desgastado e sem idéias. O thriller continha cenas de ação alucinantes e uma trama extremamente bem bolada. O brilhante Paul Grengrass (Vôo United 93) acolheu a sequência dois anos depois. A Supremacia Bourne melhou o primeiro filme, com ousadia e entretenimento intenso e inteligente, mas foi só com seu terceiro e possívelmente último episódio que a serie realmente atinge a maestria. Também dirigido por Greengrass, Ultimato chega em uma época onde nenhuma sequência conseguiu o feito de superar seus antecessores, mas Greengrass não é um simples diretor e este não é um mero filme de ação. Impulsionado por uma nova intriga, mais relevante e interessante, o terceiro capítulo fecha a trilogia com chave de ouro, entregando não só as cenas de ação mais sensacionais da década, mas entregando um roteiro denso, orquestrado por uma soberba direção.
O simples fato de sempre inserir novidade e nunca se tornar episódico já torna cada sequência Bourne satisfatória e com O Ultimato as surpresas nunca foram tão deliciosas. No capítulo onde descobrimos as verdadeiras origens de Bourne, somos satisfeitos com genialidade e puro brilhantismo, tanto na forma inovadora de Greengrass contar sua história super movimentada, mas como o roteiro consegue unir tudo de forma perfeita no clímax de tirar o fôlego. Nesse tal clímax, não são mais as espetáculares sequências de ação e adrenalina, mas um suspense tenso e forte, movimentado pelo drama do personagem em confrontar seu passado e sim - lembrar de tudo. Matt Damon torna tudo bem mais empolgante com sua ótima atuação com Jason Bourne, que nunca deixou de ser relevante. Ele constrói seu personagem brutalmente e de forma memorável, para que nunca possamos esquecer dele.
Mas Damon não está sozinho. Outro grande destaque do filme é seu elenco, que inclui os personagens já conhecidos de Julia Stiles e Joan Allen, mas adiciona intensidade com as performances inesquecíveis de David Strathairn e Albert Finney, um personagem super importante para a trama. Paddy Considine, perdido e confuso no meio de tanta ação, também ganha certo destaque, apesar de seu pouco tempo em tela. Cada atuação é forte, mas não teriam funcionado se não tivessem personagens tão emblemáticos e com O Ultimato, cada um importa, cada pessoa possui um papel chave e nenhum é esquecido ou mal utilizado com o objetivo de dar continuidade à ação. O que não seria um problema. Como eu já mencionei incansavelmente, as cenas de ação são impecáveis e não há como resisti-las. Greengrass continua com sua câmera de mão, talvez até mais que no filme anterior, mas utilizando-a de forma mais essêncial e importante. Aumentando a tensão, construindo adrenalina e com uma edição ágil e perfeita (sem dúvida merece uma menção no próximo Oscar) faz da ação do filme algo para se fascinar. Fiquei realmente impressionado com a competência do visual, que utiliza menos efeitos especiais e mais habildiade na câmera, na direção focada de Greengrass e seu poder de entretenimento e satisfação intenso.
Me surpreendendo, O Ultimato Boune se tornou não somente o melhor filme do gênero que assisto em muito, muito tempo, mas um dos melhores filmes do ano. Paul Greengrass entrega uma urgência tão admirável ao trabalho, algo tão relevante e um desfecho tão inesquecível e inteligente que não há como resistir aos continuos elogios. O fato de poder propocionar entretenimento de ação e suspense tão poderoso e ao mesmo tempo um roteiro tão brilhante faz desse filme algo ainda mais admirável. Não direi nada a respeito da trama para não estragar nada, mas fiquem preparados pois a viagem é extraordinária e a satisfação será intensa. A verdade é que Greengrass e companhia levaram suas maneiras extremas à outro nível e arquitetaram uma obra-prima do gênero, funcionando sobre todos os aspectos imagináveis. Não é por nada que, como os episódios anteriores, decide finalizar, para o deleite da platéia, com a canção "Extreme Ways" de Moby. Brilhante é pouco.
[The Bourne Ultimatum] De Paul Greengrass. Com Matt Damon, Julia Stiles, David Strathairn, Joan Allen, Albert Finney, Paddy Considine, Scott Glenn e Edgar Ramirez. [Thriller, 111 minutos]


| Vinicius Pereira do Blog do Vinicius | 80 |
| Roger Ebert do Chicago Sun-Times | 88 |
| Celso Sabadin do Cineclick | -- |
| James Dyer do Empire | 100 |
| Otavio Almeida do Hollywoodiano | 100 |
| Manohla Dargis do New York Times | -- |
| Marcelo Forlani do Omelete | 100 |
| Peter Travers do Rolling Stone | 88 |
| Kamila do Cinéfila por Natureza | 95 |
| Rotten Tomatoes | 94 |
14:25 Escrito em Resenhas | Permalink | Comentários (3) | Enviar por e-mail
































Comentários
Como disse, gostei muito do filme, é daquele tipo de longa que você fica bem empolgado com as cenas de ação, incríveis mesmo. O problema é que ainda não me encantei com a trama do agente Bourne como deveria (até porque achei o final um pouco previsível). Indicaria aos Oscars de montagem e edição de som.
Escrito por: Vinícius P. | Terça, 28 Agosto 2007
Quero muito ver esse filme, apesar de não gostar tanto dos anteriores. É inegável o talento de Paul Greengrass na série e em seus filmes, mas verei o Ultimato mais por causa do elenco. Adoro Matt Damon (um ator subestimado). Mas minhas expectativas ficam com Joan Allen, que me conquistou completamente em A Outra Face da Raiva e David Strathairn, memorável como o protagonista de Good Night, And Good Luck.
Escrito por: Matheus Pannebecker | Quarta, 29 Agosto 2007
Adorei seu texto e, assim como muitos outros colegas blogueiros cinéfilos, gostei muito deste filme.
"O Ultimato Bourne" fecha esta trilogia com chave de ouro, com todos aqueles elementos característicos dos dois primeiros filmes, e a adição de um ótimo vilão na pessoa de David Strathairn.
Uma quarta parte seria bem-vinda, mas não é necessária.
Escrito por: Kamila | Sexta, 31 Agosto 2007
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