Sábado, 12 Maio 2007

Resenha: Cartas de Iwo Jima

Uma guerra de emoção.

Cartas de Iwo Jima

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Letters from Iwo Jima (2006)
Dirigido por Clint Eastwood.
Com Ken Watanabe, Kazunari Ninomiya e Tsuyoshi Ihara.
Drama. 141 minutos.

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Após A Conquista da Honra contar o lado americano durante a segunda guerra mundial e durante a batalha em Iwo Jima, esse filme retrata agora o outro lado, o lado japones. Conta sobre os soldados jovens da guerra, seus generais e sobre como todos sofrem os horrores da guerra, com direito à flashbacks até chegarmos ao verdadeiro conflito, durante a batalha na ilha.

Extraordinariamente belo, o mais novo filme de Clint Eastwood é uma imensa satisfação e a nova pérola do cinema contemporäneo. Após maravilhar com o excelente e impactante A Conquista da Honra, excepcionalmente bem dirigido e deslumbrante com seu conto e seu visual, Eastwood consegue se superar ao contar a segunda parte de sua história, revelando ao mundo que uma guerra possui dois lados e não há bem ou mal quando se trata de um campo de batalha, há somente homens, intenções, culpa e emoção. Se em seu primeiro filme ele explorou mais como a guerra havia sido vendida e sobre como os soldados lidaram um com o outro e com a guerra, aqui sua visão é ainda mais pessoal, mergulhando de verdade nos sentimentos de cada personagem e se intensificando nas emoçoes e nos verdadeiros horrores de uma guerra.

O longa, além de oferecer um incrível e emocionante roteiro, tocando em uma ferida e emocionando ao sermos envolvidos pela inocëncia dos soldados, funciona de verdade por causa dos toques especiais de Eastwood, que encara tudo com muita maturidade, nunca se deixa levar pelo melodramático e consegue provocar emoções mesmo quando não quer. A verdade é que seu filme parece completamente improvisado, é realista ao extremo e seus 140 minutos voam pelos nossos olhos, ao sermos profundamente envolvidos pelo núcleo emocional do enredo e começamos a viajar pela narrativa sutil de forma leve, recebendo satisfação e sendo maravilhados com a maestria.

Quando o filme fica pesado, porém, fica difícil não se angustiar e sofrer com imagens impactantes, cenas fortes e crueis e é nessa momento que fica óbvio o realismo e o verdadeiro poder do filme de Eastwood que não fez um simples filme de guerra, mas sim, uma drama particularmente denso e profundamente belo e observador. O elenco é mais um ponto majestoso no longa. O conhecido Ken Watanabe é o destaque, em atuação soberba e única: suas emoções são sinceras. Kazunari Ninomiya também merece aplausos por sua interpretação efficiente e tocante, seguido pelo resto do elenco brilhante e effetivo.

O visual é tão bom quanto o do primeiro filme. A fotografia tem um tom sombrio, clássico e em momentos carregada de significados. A trilha sonora é perfeita e o filme é um imenso prazer para os ouvidos, tanto quanto para os olhos e para a mente. Editado incrívelmente, a sutileza nunca deixa de surpreender e são os detalhes que importam e nesse filme detalhista, simplístico e intenso, achar uma falha é como procurar por uma agulha num grande monte de palha. Dizer que Eastwood conseguiu mais uma vez seria um total cliché e seria, principalmente, repetitivo. Eastwood realmente conseguiu mais uma vez, mas a verdade é que ele consegue sempre e Cartas de Iwo Jima é simplesmente mais uma obra-prima para dar um extra recheio à sua filmografia já perfeita.

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Vencedor do Oscar: Melhor Edição de Som. Indicado a 3 Oscar: Melhor Filme. Melhor Diretor. Melhor Roteiro Original.

15:50 Escrito em Resenhas | Permalink | Comentários (2)

Comentários

Wally, também gostei muito dos dois filmes. "A Conquista da Honra" e "Cartas de Iwo Jima" são obras memoráveis do cinema de Eastwood (ainda prefiro "Menina de Ouro", estrutura mais simples e igualmente emociante).

Inocëncia dos soldados. Isso resume os dois filmes.

abração e bom domingo!

Escrito por: Túlio Moreira | Domingo, 13 Maio 2007

Sem dúvida um dos melhores filmes do ano passado, só não acho que merecia a indicação para melhor filme no Oscar (preferia muito mais "Filhos da Esperança", "O Labirinto do Fauno" e até "Maria Antonieta" para ocupar a 5ª vaga - os outros quatro foram merecidos). Gostei bem mais do que "A Conquista da Honra", não só em termos técnicos, mas também quanto à trama e ao elenco - Watanabe, ótimo (atuação soberba mesmo).

Escrito por: Vinícius P. | Segunda, 14 Maio 2007

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